Inundados com um autêntico banho de sacrifícios em 2012, iniciamos um novo ano com um debate reincidente na esfera político-económica, de capital importância para a vida do País, e que versa sobre a sustentabilidade do estado. Portugal, está no limiar da insolvência, razão pela qual está a ser intervencionando. Todavia, esse cenário, embora acelerado por uma crise depressiva com enfoques internacionais, teve origens proeminentemente internas. A situação em que nos encontramos é fruto de uma ausência de estratégia económica, que se impunha em tempo útil, com a definição de metas claras e com a delimitação de sectores-chave que permitissem nos colocar numa rota de crescimento sustentado. Ao sabor de interesses vários e com imputabilidade política viveu-se um desenrasque cumulativo, com regulares e abissais défices, dividas por pagar, desvantagens competitivas evidentes, apostas desmesuradas em bens não-transaccionáveis, investimentos sem efeito multiplicador e falta dos incentivos certos, problemas que foram sempre colocadas "debaixo do tapete", adiando-se sempre as soluções inadiáveis. Agora, em desespero de causa, resta-nos um rumo, o calvário do ajustamento, o reformar uma nação deprimida, uma visão de futuro, um caminho sustentável, que, mesmo assim, não pode negligenciar, efeitos estruturais, materializados na fuga de cérebros, no desemprego irreversível ou na pobreza arrasadora. O desmoralizante ajustamento, leva-nos, a contra gosto, a reequacionar o estado social, que tanto nos orgulha e a promover uma relutante política fiscal, já derrotada à partida pela célebre curva de Laffer. É um acerto com a riqueza que produzimos, vulgo "viver com aquilo que temos", por forma a não hipotecar ainda mais o futuro.

Rafael Freitas, Colaborador da AAUMa