Segundo um artigo da Jornalista Lucinda Canelas no jornal Público, desde o século XIX até hoje que operários das tabaqueiras de Havana usufruem diariamente, enquanto enrolam folhas de tabaco, da audição de leitura de textos diversos, nomeadamente de jornais da imprensa diária, poemas, livros de romances ou de simples receitas de culinária. Esta função estava destinada ao "Lector de tabaqueira" indivíduo que se proponha a fazer a leitura dos mais variados textos, incutindo nos operários, muitos deles analfabetos (85%), o gosto pelo conhecimento e pela cultura. Esta tradição converteu-se num hábito social e cultural que presentemente ainda se mantém inalterada. Serão cerca de 300 os leitores existentes atualmente nas Fábricas de Charutos cubanos. Esta estratégia foi inicialmente motivo de chacota por ser semelhante à utilizada nas prisões de Havana onde eram lidas aos reclusos as notícias enquanto estes almoçavam. A figura do "lector de tabaquería", existente desde 1865 em Havana, é um exemplo flagrante de como é possível incutir nas massas o gosto pela cultura e hoje os tabaqueiros cubanos são considerados os trabalhadores com maior acesso à mesma. Recentemente esta profissão foi distinguida pela comissão Nacional para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial de Cuba, pois foi através desta que se incutiram na sociedade cubana uma consciência política originando o movimento independentista. Curiosamente, uma das muitas obras lidas nestas fábricas: "Les Misérables" de Victor Hugo, foi recentemente adaptada ao cinema, vencendo os Globos de Ouro nos galardões de melhor filme, melhor ator (Hugh Jackman) e melhor atriz secundária (Anne Hathaway) na categoria de comédia/musical.
Luís Guilherme de Nóbrega, Professor