Paciente identificado Há coisas que não lembram ao diabo. Na última terça-feira dirigi-me ao Serviço de Urgência do Centro Hospitalar do Funchal à razão de um problema que me aflige há algum tempo a esta parte e não o fiz por simples prazer mas sim pela necessidade premente de ser atendido por um especialista da área de Neurologia, em virtude da complexidade e dos contornos do problema. É obvio que a minha pretensão nunca passou por, em primeira instância, ser observado por um especialista. No entanto o médico de serviço que me atendeu alertou-me para a necessidade de ser observado e aconselhado por um profissional de Neurologia. Posto isto o médico, de quem desconheço a identidade e de forma prudente recusou medicar-me, dizendo-me que entraria em contacto com um seu colega da Neurologia que posteriormente me atenderia e tomaria as providências que achasse necessárias. Até aqui tudo normal e dentro dos procedimentos que deve ter um profissional da medicina. Entretanto passaram-se cerca de três horas e lá se apresentou no Serviço de Urgência o "especialista" em Neurologia. Fui atendido de pé num recanto que o próprio médico indicou, passando então a ouvir as minhas queixas. Tratando-se de um Neurologista julguei estar entregue ao profissional adequado para resolver ou minorar o problema que neste momento me impede de exercer a minha actividade profissional. Qual o meu espanto quando o médico me remete para dois seus colegas, alegando tratar-se de um problema (distonia) ao qual era alheio ou por outro lado não era da sua competência. Acreditei na sua incapacidade porque se a tivesse naturalmente que aplicaria alguns dos seus conhecimentos no alívio do problema que insistentemente lhe coloquei. Mesmo assim fico com as minhas reservas. Mas o caso passou de mal a pior. O médico propôs-me a marcação de uma consulta cuja periodicidade é muito prolongada, sendo que a alternativa foi o internamento, pois dessa forma segundo disse teria mais chance de ser atendido no dia seguinte pelos profissionais que me indicou anteriormente. Três alertas: Em primeiro lugar, interrogo-me, será este um novo conceito dos profissionais da área de Neurologia no sentido de assegurarem o atendimento? Em segundo lugar estará a Direcção do Centro Hospitalar do Funchal no conhecimento deste tipo de procedimentos? Existe contenção no CHF? Quanto custa um internamento (neste caso a justificação era agilizar uma consulta)? O terceiro alerta vai para a Ordem dos Médicos. Desde quando é que um Neurologista de serviço numa unidade hospitalar está incapacitado para medicar um doente, independentemente da referida distonia não ser (segundo referiu o médico) da sua competência? Este será um caso naturalmente para ser analisado por quem de direito. Se este tipo de procedimento se alastra não haverá camas suficientes no CHF.