As autarquias representam o poder de decisão política mais próximo das populações, por isso, ao longo dos anos os munícipes habituaram-se a respeitar estas instituições. Infelizmente, os sucessivos governos sempre trataram o poder local e os respetivos autarcas como parentes pobres no âmbito dos planos e orçamentos, quer da República quer da Região. A maioria das Câmaras e Juntas enfrenta dificuldades enormes para fazer face aos compromissos eleitorais que assumiram. Perante esta realidade, as eleições autárquicas de 2013 representam um corajoso desafio a todos aqueles homens e mulheres que se manifestem disponíveis para este combate político e eleitoral. Mas, será um desafio ainda mais difícil para os vencedores, porque terão de lidar com a grave situação das famílias, vítimas das medidas de austeridade, aumento do desemprego, encerramento de pequenas e médias empresas, diminuição brutal de novas obras públicas e particulares, o que acarreta diminuição de receitas para o município e ainda a redução nas transferências mensais do orçamento de Estado e retenção do IRS pela república. Os vencedores terão de lidar ainda com a grave situação financeira das suas autarquias e respetivas dívidas a fornecedores e banca, com a Lei dos compromissos, com as restrições impostas pelo PAEF e pelo PAEL programa 1, pelo continuado incumprimento dos contratos programa assinados com o governo regional e com a ineficácia da ARM. Terão ainda de satisfazer as espectativas criadas pelos eleitores. Em conclusão, não será uma tarefa fácil para os vencedores, mas perspetiva-se ainda mais difícil para a vida dos munícipes. Perante este quadro de dificuldades, exige-se aos partidos, coligações e movimentos de cidadãos que escolham pessoas e programas credíveis, que evitem populismos e demagogias, de modo a criar confiança e esperança num futuro melhor por parte dos eleitores. Se não houver esse cuidado e essa sensibilidade, poderá acentuar-se ainda mais o divórcio entre os políticos e a população em geral.
João Isidoro - Presidente do MPT-M