O pouco dinheiro que chega à Região - e importa contar o que realmente entrou - é estoirado em betão. "Foi para isso que foi dado", argumentarão aqueles que têm competência de gerir mundos e fundos, contentar clientelas e afugentar turistas.
Nalguns casos, justifica-se. Três anos depois do 20 de Fevereiro a segurança dos cidadãos não é ainda um dado adquirido, há ribeiras por regularizar, muros de protecção por erguer, acessibilidades por repor e lições por aprender. Noutros, lamenta-se o desnorte político, o eleitoralismo primário e as empreitadas despropositadas, por não serem prioritárias e, pior, denunciarem que o altruísmo deu lugar ao revanchismo!
Seja como for, obrar é com eles, cimento do mesmo saco. Sobretudo perto das eleições. E este ano há autárquicas. Por isso, o frenesim vivido em toda a ilha, o andar apressado para que nos últimos meses de poder vingue uma imagem de marca dos que vão embora, mesmo que tratando os munícipes por parvos, como se fosse passível de esquecimento três anos de mandatos vazios e de estratégias duvidosas.
No Funchal, que até há poucos dias não aguentava duas frentes de obras em simultâneo, passa a ter três que é para ninguém ficar a rir do vizinho, mesmo que à conta de mais uma asneira monumental, a cidade estaleiro perca qualidade, turistas e vida. Em Machico, a autarquia quer casa nova, quando o problema se resolve com uma simples reparação no edifício actual. Noutros concelhos preparam-se as máquinas para satisfazer um sem números de caprichos. E se cada candidatura autárquica tivesse dinheiro para deixar marcas na sua área de influência, mais frentes de obras surgiriam por todo o lado, mendigando o voto, ignorando por completo o reverso da medalha.
Quem tem memória que a use. Até Outubro não faltarão oportunidades.