Francisco Gonçalves Li com grande consternação e horror o que se passou recentemente no continente, a terrível ocorrência em que uma criança, um bebé, foi atacada por um cão. Hoje soube-se que o desfecho foi o mais infeliz possível, nomeadamente, o falecimento da referida criança. Simplesmente, senti uma enorme tristeza. Devo desde já aqui declarar a minha grande simpatia com os animais, especialmente cães. E é por isso que acho oportuno e talvez até necessário, com os relativamente profundos conhecimentos que tenho destes animais, tecer e publicar as minhas considerações sobre o trágico acontecimento. Neste caso específico, e pela descrição dos factos que li na imprensa, a criança terá caído sobre o animal - um cão arraçado da espécie pitbull. Como consequência, e certamente interpretando isso como um ataque, o animal investiu com as consequências que se conhecem. Há aqui diversas considerações a fazer: este tipo de cão, pelas características e temperamento que a raça lhe confere, requer uma educação especial que, tenho a certeza, poucas pessoas estarão em condições de dar. Conforme a educação no crescimento tornar-se-ão uma fantástica companhia ou uma arma perigosa. Segundo, e não menos importante. Como é possível permitir que uma criança de tão tenra idade se aproxime tão inadvertidamente de um cão? Seja, aliás, de que raça for. Extremamente importante que os responsáveis eduquem os seus filhos ensinando-lhes a maneira certa de se aproximarem dos cães, sempre com anuência prematura dos donos desses animais. Sim, porque os cães são mesmo os melhores amigos do Homem. Infelizmente na nossa ilha os animais são na sua generalidade tratados como coisas, que se oferecem no dia de aniversário ou Natal e que algum tempo depois são conduzidos a sítios ermos e deixados ao abandono. Ou, como nos nossas localidades rurais, mortos por envenenamento se, por exemplo, ladrarem de mais durante a noite. E ladram porquê? - Porque são amarrados dia e noite com uma corrente de 1 metro. Li há pouco um artigo em que se referia que o grau de desenvolvimento de uma sociedade se mede, entre outras considerações, pelo modo como se tratam os animais. Servem estas minhas palavras para exprimir a minha convicção de que a grande maioria das pessoas não está preparada e nunca deveriam ter a responsabilidade, sim, RESPONSABILIDADE, de possuir um cão. E que cada vez acho mais importante o contacto saudável entre pessoas e cães, sempre numa base de respeito que estes animais nos têm de suscitar. Porque, repito, não são "coisas". Termino endereçando à família desta infeliz criança a minha simpatia e solidariedade nesta terrível hora de dor por que passam. E reafirmando que continuo a confiar mais, muito mais , nos cães do que nas pessoas. Por experiência própria, também.