Pe. Martins Júnior Em menos de uma hora viveu-se todo um programa de vida: trabalho, acção, pedagogia, festa, ano novo, esperança. E tudo isto emoldurado num círculo de unidade e comunhão, a família. Estou a referir-me ao concerto que o Grupo Coral das Casas do Povo de Machico trouxe à igreja da Ribeira Seca no domingo de Reis. Considerável o trabalho dos coralistas na preparação do programa apresentado…lição "ao vivo" sobre a urdidura do tecido polifónico, muitas vezes imperceptível ao vulgo consumidor…a filigrana dos diversos timbres (naipes) de vozes ali demonstrada pelo maestro e pedagogo José Carlos Bago d'Uva…a esperança irradiante da canção de ano novo…enfim, a notável e singular junção de pais e filhos cantando a mesma melodia, lado a lado, na envolvência do mesmo abraço de luz. Foi luz este concerto, foi a estrela final a culminar o nosso "Natal de Estrelas". Nunca se dá a suficiente cotação a estes amantes da arte que prestam um verdadeiro serviço público, gratuitamente e quase sempre (sabe-o bem quem anda nisto) com prejuízo do seu lazer pessoal e até familiar, dificuldade que o maestro tem sabido contornar trazendo pais e filhos para o grupo coral. Aliás, não menos louvável é a linha programática do Grupo que, num esforço de descentralização cultural, tem levado a sua presença a outros núcleos e paróquias do concelho. Por isso, também, estarei este sábado no Fórum Machico para uma vez mais deliciar-me com a sonoridade do coro infanto-juvenil, dirigido pelo dedicado musicólogo Nélio Martins. A comunidade da Ribeira Seca agradece penhoradamente a todo o Grupo, aos dois dirigentes musicais e à responsável e coralista Fátima Belo esta bela prenda de ano novo. E mais: registámos com muita atenção a definição do maestro José Carlos Bago d'Uva, na introdução à aula de técnica musical que nos proporcionou a meio do concerto:"Uma igreja é casa de oração, mas é também casa de cultura". A nossa é assim"! Em nome de todos, a minha gratidão e aplauso.