Durante anos muitos olhavam para a laranja e viam-na luzidia, transbordava saúde e era um sinal de progresso e de crescimento económico. Quando se questionava a laranja em relação à dívida diziam ao povo «tratem da oposição que eu trato da dívida», quando se questionava em relação às obras loucas e sem retorno diziam «estamos a aproveitar os fundos comunitários ninguém vai pagar nada», quando se questionava pelos caminhos que a Autonomia estava a seguir diziam «são inimigos do povo madeirense e estão feitos com Lisboa». Durante anos e anos assim foi. A propaganda sobrepôs-se à realidade mas agora a realidade já não consegue ser abafada pela propaganda. Agora em 2013 já não há quem possa dizer que não conhece a realidade, ninguém pode afirmar que estes senhores governaram bem, hoje ninguém, em consciência, pode dizer que o PSD-M merece o seu voto. Hoje, quem vota no PSD-Madeira, perante tudo o que se está a passar, já não é vítima, sabe da realidade, e é cúmplice. A laranja, outrora luzidia, esta infestada com os micróbios das falências e do desemprego, está podre pela corrupção e pelo clientelismo, a sua casca já não é laranja mas negra, como negro é o rasto de dívidas que deixa às actuais e futuras gerações. Esta é a laranja amarga do Programa de Ajustamento, da Lei de Finanças Regionais e Locais, da traição à Autonomia. O Presidente do PSD-M foi eleito para governar a Região há pouco mais de um ano, tem um mandato até 2015 e a única forma deste péssimo governo cair é perder as eleições autárquicas. Perdendo as eleições autárquicas, o próprio PSD fará um congresso antecipado e afastará o principal responsável pela situação da Madeira e do Porto Santo e haverá eleições regionais antecipadas. Só assim haverá condições para devolver a palavra aos madeirenses e porto-santenses para que se pronunciarem em relação ao futuro, só assim poderemos renegociar o Plano de Ajustamento e apostar na economia e na criação de emprego. É por isso que as eleições autárquicas são importantes, não só para afastar o partido que endividou as Câmaras da Madeira e agora põe os munícipes a pagar as taxas mais altas do país, mas também para abrir as portas da Mudança e da Esperança.

Victor Freitas, Presidente do PS-Madeira