Adelaide Ribeiro e Lucinda Ribeiro Assistimos, estupefactas, ao programa 'Especial Informação' da RTP-Madeira na última terça-feira. Para além de ficarmos surpreendidas com a aparente serenidade do início do ano lectivo, atestada pelo director regional de Educação e pelos directores de escola presentes, a nossa perplexidade deve-se sobretudo às palavras dos directores de escola convidados, relativamente à forma como tem sido atenuada a falta de recursos materiais/pedagógicos nas respectivas escolas. Dizia um desses directores que, com grande profissionalismo e dedicação, alguns professores estão a comprar esses recursos para colmatar essas lacunas, nomeadamente retroprojectores e a utilizar os seus telemóveis particulares para contactos com encarregados de educação/alunos. Neste quadro importa clarificar que, independentemente das motivações destes docentes, essa é uma responsabilidade única e exclusiva da SRE. Aos directores cabe o papel de assegurar ou de reunir esforços para que as condições de trabalho para uma boa prática educativa estejam reunidas. A nossa perplexidade prende-se precisamente com esta subversão do papel do professor e com a associação implícita de profissionalismo que advém destas atitudes. E, reconhecendo que estes actos são tão naturalmente acolhidos por parte destas direcções de escola (facto que admitimos não ser generalizável a todas as direcções), deixamos um apelo a estes e a todos os directores de escola que se revêem neste discurso: porque não contribuir (também) para a supressão dessas lacunas, abdicando do seu suplemento remuneratório referente ao cargo de direcção?