A notícia está aí a comprovar o que já s sabia: as contas da Madeira são um total e absoluto descontrolo e desvario, sem regras e com um despesismo que ultrapassa toda e qualquer explicação lógica.
Basicamente, o relatório da Inspecção Geral de Finanças diz que duas ilhas habitadas gastaram três vezes mais do que nove ilhas nas mesmas circunstâncias e conseguiram criar uma máquina administrativa muito mais pesada
Só na comparação dos números, a situação é já de si estranha, mas mais estranha fica quando se sabe que todo o dinheiro que gastámos apenas serviu para que nos fosse imposta uma austeridade que está a destruir toda a economia e todo o tecido social. Diariamente, fecham empresas, famílias perdem o seu sustento e são destruídas uma série de conquistas que tínhamos como certas na saúde, na educação e em tantos outros sectores.
É, por isso, legítima a pergunta: o que nos trouxeram de bom todos estes anos de desvario nas contas públicas e de investimento em betão?
Feitas outras contas, não estamos melhor dos que os Açores e toda a obra que sustentou o regime revela-se tão inútil como gelo nos pólos.
Chegados a esta fase da equação matemática e social, há que perguntar então para que serviram tantos anos de ilusão, de betão e de tanto palavrão autonómico e independentista?
A resposta parece-me óbvia e infelizmente dramática: ao povo serviu de pouco, a um regime que apenas se soube sustentar a si mesmo serviu para, até aqui, manter o poder, único projecto sério e sustentado que animou os últimos anos da política madeirense.
A disparidade entre as contas da Madeira e dos Açores explicam, sobretudo, as sucessivas maiorias, a inexistência de alternância democrática e um povo adormecido ao som das inaugurações e das festas.