Quando três cantoras entram numa igreja e apenas de microfone em punho colocam em sentido todo o aparelho de Estado da Federação Russa, percebe-se bem porque razão os poderes de um homem só tendem a arrasar tudo o que soe a cultura. Quando o poder despacha um artista como o Rigo, percebe-se ainda melhor o quão valioso pode ser o desporto, particularmente quando o sonho é ter um povo superior. E na verdade, basta olhar para meia dúzia deles, vê-se logo que são superiores. Os senhores da bola por exemplo, não fossem eles tão altos e todos nós seríamos um vulgar povo esquecido no meio do Atlântico. Sem turistas a nos visitar, sem nesga de futuro para os nossos jovens, sem estrelas a quem adorar, sem nada, uma desgraça. A eles se deve tanta felicidade. São eles que com tão suprema influência concedem ao povo o elevado privilégio de ser este a suportar as viagens dos seus craques, os honorários e os vícios de suas altezas e outras coisas que eu cá sei. Fazem-no e o poder agradece. Está nos livros. Sem desporto não há regime que resista. Fosse este um povo, apenas um povo.
Eurico Martins