Sérgio Quaresma A secção de natação do Marítimo está em apuros! Após mais de cinco anos de trabulho árduo do actual corpo técnico, que conseguiu reerguer esta secção como uma força na natação regional, as actuais dificuldades financeiras estrangulam um projecto feito com cabeça, tronco e membros, e que começou a dar frutos na época 2011/2012. Nos últimos dias assistimos à demissão de vários treinadores, por não poderem mais suportar atrasos de pagamento superiores a 15 meses, tendo como consequência o desaparecimento quase total da equipa técnica. Quanto à culpa por esta falta de dinheiro, o segredo, como habitualmente, está na diluição de responsabilidades: não será do Marítimo, mas será do IDRAM/DRD? Ou das transferências da República? Ou ainda, das tranches da Troika? Sendo a natação um desporto essencialmente individual, a "dependência" dos atletas em relação aos seus treinadores, a importância dos elogios ou repreensões destes em relação ao trabalho efectuado, forjam entre eles laços que não têm paralelo nos desportos colectivos. Estas demissões tiveram, portanto, um efeito devastador nos escalões mais velhos - 12 a 15 anos - em que os atletas, habituados como estavam a lidar com os seus treinadores durante mais de 2 horas por dia, 6 dias por semana, não contiveram as lágrimas no momento da despedida, tendo ficado destroçados com a notícia e desalentados para o recomeço dos treinos desta época. Ora, o Marítimo, o maior da ilhas, clube do povo, forjado entre as redes de pesca do Campo Almirante Reis, aparentemente não tem querido usar o seu capital de prestígio para alavancar uma solução para este problema. Estranha-se esta postura, em especial porque como detentor do estatuto de Utilidade Pública, tem responsabilidades enquanto entidade formadora. Aquele estatuto não é concedido devido às qualificações para as competições europeias de futebol. Há mais vida para além das quatro linhas! Ajudem a natação do Marítimo!