Transcrevo, do JM, edição de 13 de Fev. p.p. - Coluna do Cidadão - o texto abaixo: "Indignação pelas declarações da Chanceler Merkel Como cidadão alemão, vivendo na Madeira há 43 anos (hoje, mais português do que alemão), não posso deixar de expressar a minha indignação e repugnância pelas declarações proferidas pela Chanceler Ângela Merkel acerca da majestosa obra que foi feita nesta ilha maravilhosa. São declarações absurdas, abusivas e sem sentido, feitas levianamente, pois não conhece, nem nada sabe o que era esta ilha quando aqui vim pela primeira vez e naquilo em que ela se tornou, graças a um homem que teve a coragem de, contra tudo e contra todos, transformar a vida dos madeirenses os quais defende intransigentemente e que pela Madeira é capaz de dar a sua vida. Merkel e Sarkozy pretendem dominar e fazer prevalecer a sua supremacia sobe os restantes países europeus, pelo que fico estupefacto como é possível que os restantes 25 países admitam ser comandados e manipulados com as suas ideias e as opções do referido duo, que tanto têm prejudicado o caminho europeu. Hoje, já há muito descontentamento no meu país com as políticas merkelianas e esperam, e desejam, a sua derrota nas próximas eleições que terão lugar a curto prazo. Para terminar, convido a Sr.ª Merkel a visitar a Madeira e ver in loco a obra grandiosa que aqui se fez. Klauss Friedrich" Passados poucos dias, o JM publicava a carta convidando a Chanceler a visitar a Madeira. A visita é importante para a Madeira, para os Madeirenses, e, para S Exa o Sr. Pres. É oportunidade única de mostrar à Chanceler, a Lisboa e ao Mundo, as correctas opções estratégicas destes 34 anos, bem como o rigor do pensamento político de S Exa. Desconhece-se o alemão. Ao lermos o texto, logo seguido do convite, somos levados a pensar que o Espírito Santo de orelha lhe bichanou informação e daí a admitir-se cumplicidade com o Sr. Dr. Jardim, é um passo. Lendo, com espírito dedutivo (à Sherlock Holmes), para tentarmos conhecer o autor, encontramos pormenores deliciosos. Vive cá há 43 anos e diz que não gostou daquilo que viu da primeira vez que cá veio. Era, portanto, homem feito, e a primeira vez pode ter sido antes de "viver cá". Conclusão: o alemão andará pelos 70 anos. Klauss revela boa informação sobre a política europeia. Até parece que, semana sim semana não, anda por lá. Eclipsou-se este madeirense. Sim, madeirense, como nos têm dito e redito, é todo aquele que traz a Madeira no coração, e, este desconhecido, sem dúvida, trá-la. Uns dizem: está para Alemanha, só aparecerá com a Chanceler; outros riem-se e acrescentam, o Klauss?, anda por aí. Houve até quem tivesse a ousadia de dizer: o Klauss esteve de férias, em Agosto, no Porto Santo. Esta, leitor, não passa pela cabeça de ninguém! É impossível; o jornalista, ao serviço do pluralismo unitário, dar-nos-ia conta da presença, no Porto Santo, daquele colaborador do JM. Tão diligente foi o homem a relatar que inúmeros turistas demandavam o Sr. Pres., para fotos e cumprimentos, que tal facto não lhe escaparia. No texto emotivo, bem latino, de Fev., temos um prosélito a enaltecer a divindade, cumprindo os mínimos para a glorificação a 9 de Set. na Herdade. Porquê desaparecer assim? Klauss nasceu no fim da 2.ª Guerra. Guardará traumas? Nos sistemas totalitários, muitos por medo, agacham-se ao Hitler em exercício; poucos lutam pelo futuro colectivo; os interesseiros aproveitam-se da situação, dizem, após a queda do tirano, apenas cumprimos ordens. Tivessem os familiares do Klauss militado no grupo daqueles que queriam ter Futuro (muitos madeirenses, hoje, sentem o mesmo) e Liberdade, para isso afrontando as ideias loucas do III Reich, terão sofrido perseguições, e, o jovem, por arrasto. Imagino quanto, hoje, se reverá na sua Alemanha que esqueceu Hitler, respeita a Lei e ama a Liberdade. Práticas destes sete meses terão trazido fantasmas do passado à sua idílica visão de prosélito entusiasmado? Exemplifico: no PSD-M os estatutos, ao longo de meses, andaram a ser interpretados, como no tempo de Hitler; figura de grande dimensão partidária afirma que os militantes têm de aceitar um conceito de liberdade análogo ao comunista. Klauss, pelo seu passado de alemão, não se reverá nestes atentados, e teve outros, apenas portugueses, que se puseram a milhas em solidariedade antecipada. O JM - SÓ DEFENDE O POVO MADEIRENSE - pode ajudar-nos. Até nem pagamos mal! Por favor, revelem-nos - KLAUSS FRIEDRICH - deste vosso (não único) importante colaborador depende o nosso futuro. Estamos nas mãos do JM e do Klauss! Só vós nos podeis libertar dos interesses geoestratégicos que, sem referendo, nos afastam da Europa e de Portugal.

Gaudêncio Figueira