António Cartaxo No passado sábado, dia 15 SET, a sociedade portuguesa mobilizou-se naquela que foi considerada a maior manifestação de indignação popular do pós 25 de Abril. Milhares de pessoas saíram às ruas, animadas de um espírito comum, responderam em massa aos apelos cívicos dos promotores da iniciativa, numa acção puramente civilista, onde a única nota destoante desse sentido civil foram algumas entrevistas de rua arrancadas a figuras públicas conotadas com diversos partidos políticos. Fora isso e poder-se-ia afirmar que aquela onda humana gigante que se fez ouvir em dezenas de cidades portuguesas estava isenta de interferências político-partidárias, pese embora a solidariedade não tenha cor política mas sim dimensão humana. Os portugueses sentem na pele as duríssimas medidas de austeridade levadas a cabo pelo actual governo, sucessivamente agravadas por mais pacotes de esmagamento financeiro às famílias, aos pensionistas, aos jovens, aos desempregados, etc. aos quais não estão isentos os próprios polícias e respectivas famílias, que também sentem o apertar constante do garrote financeiro já muito perto da asfixia económica. Neste contexto de elevado descontentamento verificaram-se algumas confrontações com o dispositivo policial destacado para garantir a ordem e a tranquilidade públicas, principalmente em frente às escadarias de acesso à Assembleia da República, em Lisboa, onde, no rescaldo da manifestação, se concentraram milhares de pessoas legitimadas pelo direito de manifestação a que se juntou o direito à indignação. Nessa confrontação ouviam-se diversos apelos dos manifestantes aos polícias para que estes passassem para o lado oposto e se juntassem aos manifestantes nos protestos, na revolta, e na indignação! Esquecem-se esses manifestantes que os polícias deram o maior exemplo cívico que de facto estavam civilmente ao lado dos manifestantes mas estatutariamente em obrigação com o juramento público que fizeram em nome da honra e dos princípios de fidelização à soberania do estado de direito e à Constituição da República Portuguesa. Se me atiras pedras, se me arremessas garrafas, se me atinges com petardos, se me insultas, se me ofendes, se me cospes... e eu não reajo... queres maior prova de que te compreendo e que estou do teu lado? Um grande abraço a todos os profissionais da PSP destacados para aquela ingrata missão!