Fomos confrontados, ainda durante a semana passada, com o anúncio, por parte do primeiro-ministro do PSD, de um aumento da Taxa Social Única (TSU) paga pelos trabalhadores. Eu não posso, em consciência, concordar com a proposta de Passos Coelho e de Vítor Gaspar, pois entendo que pouco beneficiará as pequenas e médias empresas (cerca de 90% do tecido empresarial do país e da Região) e que prejudicará, em muito, o consumo, já abalado pelas medidas de austeridade anteriores. Todos sabemos que uma diminuição, por menor que seja, no consumo será fatal para milhares de empresas no país e para centenas de empresas na Região, contribuindo para aumentar o desemprego. Passos Coelho e Vítor Gaspar ainda estão em tempo de recuar, conforme vontade do CDS e de muitas personalidades independentes, que vieram a terreiro criticar a medida. É fundamental, nestes tempos difíceis, fomentar entendimentos, percebendo que um clima de instabilidade política "deitaria abaixo" todo o esforço que já fizemos no sentido de recuperar a credibilidade de Portugal. É fundamental que Passos e Gaspar percebam que erraram. É fundamental que o CDS continue a desempenhar o seu papel enquanto "consciência social" do Governo da República. Mas é também fundamental que o PS entenda as responsabilidades que tem (foi governo em 13 dos últimos 16 anos) e que, de uma vez por todas, aja responsavelmente, sem brincar ao "agora apresento uma moção de censura, mas afinal não quero eleições". No que respeita à economia da Região, Alberto João Jardim não pode, porque não tem moral para isso, esconder-se atrás dos erros de Coelho e Gaspar, exclamando "eu já sabia, eu já tinha avisado", quando ele próprio encarregou-se, com as suas políticas despesistas, de arruinar, nos últimos dez anos, as empresas e os trabalhadores Madeirenses e Portosantenses. Ao fazê-lo, está a demonstrar uma enorme incapacidade para perceber os erros que cometeu. O que Alberto João tem de fazer é ir à República e pedir ao primeiro-ministro do seu partido para renegociar o Plano de Ajustamento Financeiro, que assinou sozinho. Só assim poderá contribuir para que a Madeira saia da crise profunda em que se encontra e que é, unicamente, da responsabilidade do PSD e do Governo Regional. Dr. Jardim, se me permite uma sugestão, mexa-se, não invente desculpas e tente contribuir para a recuperação das empresas da Madeira e do Porto Santo. Só com um tecido empresarial forte e empreendedor sertã possível criar mais empregos e distribuir a riqueza por todos.

Lino Abreu, Deputado do CDS/PP