Este foi o grito que percorreu todo o País nas manifestações do dia 15 de Setembro. Foi bonito ter a sensação que o 25 de Abril estava novamente nas ruas do meu País e sobretudo da minha Região. Muitas pessoas perderam o medo e vieram para as ruas do Funchal com um grito cívico de liberdade. Gritamos contra a Troika e todos os que a apoiam, porque não concordamos com as medidas de austeridade que estão a empobrecer as famílias e a destruir a classe média deste País. Exigimos respeito pelos nossos direitos que estão a enterrados devido às políticas que a direita está a imprimir no governo mais reacionário após a era de Abril. Exigimos justiça e pedimos a prisão para o principal responsável do governo. Gritamos que queremos trabalho e não desemprego, para que todos/as possamos viver melhor e mais felizes. Exigimos respeito pelos nossos direitos e dissemos que, quem segue outra política, seja cá seja lá, que vá para a rua e deixe ser o povo a decidir o caminho a seguir. Foi bonito, foi verdadeiro e foi sentido. Éramos todos e todas diferentes. Idade, cor, estilo, opções religiosas, políticas, sindicais, profissionais, culturais e sociais. Mas estávamos irmanados/as na mesma luta comum de interesses e isso sentiu-se na pele, na expressão, na força e na vontade com que gritamos o nosso descontentamento. Não nos atropelamos, respeitamos as condições propostas pela organização e quando alguém tentou violar as regras a plateia, sobretudo os/as mais jovens, colocou logo ordem na casa e prontamente se recolocou a unidade estabelecida. Para muitas das pessoas presentes era a primeira vez que participavam numa manifestação mas acho que ficaram motivadas para participar nas próximas iniciativas e isso é muito importante. Hoje quem sempre se manifestou e lutou para que no Portugal de Abril a vida de quem trabalha melhorasse só pode sentir orgulho do que está a acontecer. Os/as lideres são outros/as? E porque não? Não se passaram 38 anos desde Abril? Acho que em todas as alturas do processo histórico do nosso País sempre apareceram as pessoas certas para liderar os processos. Não são ainda estas? São outras? O povo vai saber encontrar o caminho certo e nós, a geração de Abril, que ainda temos força e vontade de lutar temos que saber apoiá-los/as e não estar preocupados/as em defender o nosso umbigo. A alternativa para tirar Portugal e a nossa Região do fundo do poço só pode sair da unidade de todos e de todas que saíram à rua no dia 15 de Setembro de 2012 que de certeza será um dia que passará a fazer parte dos dias históricos do nosso País, assim o espero. E Como cantava o poeta " canta, canta, amigo canta, vem cantar a nossa canção, tu sozinho não és nada, juntos temos o mundo na mão". È com uma grande unidade e convergência de interesses que este país e esta Região terá que enfrenar o seu futuro porque estamos fartos/as de gente sem carácter e interesseira a nos governar. Vamos continuar a estar juntos porque a luta continua!

Guida Vieira