Pedro Melvill de Araújo Coitados dos Portugueses. As últimas medidas dos políticos que mandam neste país indicam que estamos metidos num belo assado. Melhor dizendo, que nos meteram num belo assado. Culinariamente falando (como cozinheiro amador, obviamente), um assado até que é um bom prato, saudável, relativamente fácil de fazer, normalmente saboroso, desde que se juntem os ingredientes certos, nas doses certas, durante o tempo certo e à temperatura correcta. Mas figuradamente, estar metido num assado não vaticina nada de bom, isto é, o tempo de assadura foi ultrapassado, os ingredientes não se conjugaram bem, enfim… um assado! E como este assado em que nos meteram à força esturricou, o país ficou, para já, espero, apático e sem coragem para reagir. É assim que eu e, julgo, que a grande maioria dos portugueses e por maior motivo os madeirenses, se sentem. Porque, por cá, como já foi referido por alguns dirigentes, já pouco se pode decidir. A maioria das decisões, incluindo (pasme-se!) na banca, já têm de ser controladas por Lisboa. Ou seja, estamos bem fritos, digo, assados, diria mesmo desalentados. E a cada revelação dos políticos, de ambos os lados do Atlântico, aumenta a temperatura e o cheiro a esturricado também aumenta. E nós ficamos cada vez mais desanimados. Isto está uma barafunda! É esse o mal do mundo de hoje em dia. Demasiada barafunda e demasiado palavreado fino. O palavreado fino ajuda a ocultar a barafunda. É como um molho muito condimentado - oculta o facto de o peixe coberto por ele (assado, talvez) não é do melhor. Dêem-me um bom filete de espada - grelhado - sem molho nenhum e pode ser que o sabor retorne. Porque estamos a ficar desalentados, sem coragem, desanimados, numa palavra: Descoroçoados! Post scriptum 1: como diz, e bem, o Prof. Nuno Nunes no seu último e excelente artigo que subscrevo inteiramente, e pedindo licença para utilizar as suas palavras - raios os partam! Post scriptum 2: Seguindo a teoria de que um bater de asas de uma borboleta na Austrália pode provocar uma tempestade no outro lado do mundo, será que uma sugestão de mudanças radicais de comportamentos (ou se preferirem, uma revolução) provocará uma reacção semelhante? Vamos começar?