Não foi necessário a troika chegar a Portugal nem o Vitor Gaspar titular a pasta de ministro das finanças para sabermos que neste país à beira-mar plantado, reduzido ao retângulo e às ilhas, mas que já foi de Aquém e de Além-mar e África, para sabermos que, quer vivamos em ditadura ou democracia, existem sempre dois pesos e duas medidas. É na politica é também no desporto e noutros níveis da sociedade. Sintomático do que acabei de afirmar é o que se passa com a arbitragem a nível da Liga Profissional. O presidente Godinho Lopes criticou (com razão) o trabalho de Bruno Paixão num jogo que opôs o Sporting ao Gil Vicente, e os árbitros como classe intocável que é resolveu fazer greve aos jogos dos leões. Porque só acontece ao Sporting quando toda a gente critica? Mais tarde Jorge Jesus (também com razão) não fez a coisa por menos no jogo do título disputado no Estádio da Luz entre o Benfica e o Porto sendo bastante corrosivo na análise ao trabalho de um árbitro assistente que validou o golo da vitória dos dragões. Mas a maior trapalhada de tudo isto foi quando o Conselho de Disciplina da FPF resolveu aplicar a penas de 15 dias de suspensão ao técnico do SLB numa altura em que as competições da Liga Zon Sagres se encontravam interrompidas. Quem lidera o Conselho de Disciplina é um juiz que debaixo da toga deve usar uma camisola do glorioso e o emblema da águia, uma vez que em plenário votou contra o castigo aplicado a Jesus. Com esta decisão não me admira que não se abram precedentes. Qualquer dia um adepto do Benfica se for apanhado a conduzir com excesso de álcool e presente a tribunal perante este juiz é capaz ficar inibido de conduzir e aplicar uma pena mas apenas no período em que estiver a dormir. Justiça tão perfeita, tão perfeita como a que foi aplicada ao responsável dos encarnados. Razão de sobra tem a Procuradora da república, Cândida Almeida, quando afirma que neste país não há corruptos. Graça a Deus que nalguma coisa estamos na linha da frente entre os países europeus. Corrupção zero e um país á beira da falência…
Miguel Justino, Repórter desportivo