Noutro tempo, Portugal ficou familiarizado com a expressão de inequívoca vontade de caminhar naquele sentido e sem reservas, independentemente das consequências e sem receio daquilo que a história veio provar. Hoje, face à insistência na solução encontrada para este país, faz-se ressuscitar o espírito daquela teimosia. Em frente e em força contra a crise mas pelo caminho da austeridade ilimitada, sem dó nem piedade. Em frente com os sacrifícios impostos a um povo que acreditou que esta maioria absoluta iria ser diferente das anteriores. Um povo que aceitou que, desta vez, as promessas eleitorais seriam compromissos honrados na governação. Um povo que possibilitou aquela força governativa crendo no momento para a realização das grandes reformas que todos apregoam mas que nenhum quis concretizar. Em força com a vontade de envolver os portugueses na solução. Caminho que passa por manter um Estado obeso, proprietário de uma justiça que não funciona, dono de uma educação que não satisfaz, de uma saúde crónica e onde tudo continua a ser possível mesmo o inacreditável. Em força com o esforço dos portugueses, independentemente dos limites, das capacidades, da motivação ou da equidade. O que interessa é que seja em força... como noutras guerras... Assim como anteriormente, a história mostrará os erros cometidos, as escolhas mal feitas, as decisões incorretas e também identificará os seus autores mas, mais cedo ou mais tarde, tudo ficará na mesma, porque em Portugal não interessa responsabilizar ninguém. Os decisores do bem e do mal convivem normalmente e a falta de coragem faz deste paraíso um país adiado onde o povo paga, reclama mas pouco mais é capaz de fazer, pronto para acreditar na próxima mentira que levará alguém a conduzir os destinos da nação. E assim será... em frente e em força... em plena democracia !

Eduardo Jesus, Economista