O PSEF-Plano de Sustentabilidade Financeira da RTP aprovado por Miguel Relvas prevê a autonomia administrativa e financeira dos centros regionais, ou seja a entrega da concessão do servico público às regiões. A ideia do Governo Central não é nova. Já em 2003 Morais Sarmento lançou o desafio, Na altura tinha a designação de Regionalização. A Madeira queria 51% de uma hipotética empresa. Lisboa não quis ceder a maioria. Almerindo Marques era Presidente da RTP. Os Açores defendiam que o Serviço Público devia ser pago por Lisboa. Não houve acordo. O assunto parecia encerrado, mas, agora, com novo governo PSD a situação volta à ordem do dia. Está englobada no pacote da privatização ou concessão da RTP. O Estado quer reduzir ao máximo a despesa pública. Ao contrário da União Europeia, Relvas parece vender ao desbarato o serviço publico de Radio e TV. Uma das hipóteses é que o servico seja concessionado e prestado por um operador privado. È uma opção altamente duvidosa. A própria RTP tem dificuldades em aplicar o conceito. Lembram-se da última vez que a RTP 2 transmitiu uma temporada de música clássica em horário nobre? Recordam-se qual foi a última peça de teatro português emitida após o telejornal. E o cinema português? E a literatura? O ambiente? As questões sociais? Com exceção dos programas Prós e Contras e Câmara Clara, poucos são os exemplos de servico publico na RTP à hora do jantar. E os privados? Vão dar prioridade a este tipo de programas em horário nobre, em vez das novelas, touradas, concursos e shows pimba para as audiências que lhes garantem a publicidade. A RTP necessita de desengordurar o número de canais, mas devia manter o Serviço Público. No mínimo um canal Informativo e Cultural, um Internacional e os canais das regiões. A contribuição audiovisual chega e sobra para manter este servico para a defesa dos valores portugueses, da unidade e diversidade cultural e a ligação às comunidades no Mundo. Entregar a RTP Madeira e Açores às Regiões, depois de lhes afogar os orçamentos, é o culminar do desprezo que Lisboa sempre mostrou às televisões regionais. Foram 40 anos de sofrimento. Equipamentos obsoletos, abandonados por Lisboa e reciclados. Foi sempre uma caridadezinha. Lisboa não via a televisão regional, nem nunca quis ver. Era uma agonia. Reduzir orçamento, emagrecer os recursos humanos e aguentar com equipamento e cenografia ultrapassada. Foi assim com sucessivas administrações. Há poucos meses Miguel Relvas foi a Moçambique oferecer um estudio multimédia com a mais moderna tecnologia. Há duas semanas foi estabelecido mais um acordo de cooperação entre a RTP, o Estado e Timor. Madeira e Açores nunca tiveram atenções destas. Vivem com gravadores de fita, carpintarias recicladas e repintadas. Está à vista! Uma imagem vale mais do que mil palavras! Um destes anos, a Madeira teve uma resposta, no mínimo caricata! Foi pedido mais equipamento. O administrador compara a RAM com a Amadora, dizendo que o concelho continental tinha mais habitantes que a Região e não tinha nenhum emissor ou centro regional. Esta era a visão colonialista e desprezo. Agora, com uma nova Administração que integra um homem da casa, que já foi Diretor da RTP Açores, veremos se os objetivos se mantêm. Se Miguel Relvas persistir com o cenário da entrega dos centros regionais às Regiões Autónomas, há que desligar de Lisboa. Aproveitar a "oferta" com a obrigatória comparticipação do Estado pelo servico publico que será prestado nas regiões,-lei 27/2007. As televisões regionais fazem falta à dinâmica económica, social e cultural. Nos Açores defende-se uma empresa com capitais da Região Açores, do Estado e de privados açorianos emigrantes. A RTP Madeira segue dentro de momentos… com rigor e independência…
Leonel de Freitas - Ex Diretor RDP/RTP Madeira