O'Meu querido mês de Agosto' foi invadido pelos números assustadores, implacáveis e crus, do desemprego, divulgados pelo INE. 22.342 desempregados sinalizados é, verdadeiramente, sinistro. Se considerarmos que por detrás de cada um destes números, está uma família, chega a atingir o espectro terrível. Eu sei que estamos em Agosto e, também sei, que este é o mês de férias por excelência. Mas o silêncio, dos responsáveis políticos por este descalabro social é uma falta de respeito para cada uma destas 22.342 pessoas. Sim, é de pessoas que estamos a falar. De gente. De famílias que sufocam e desesperam perante a calamidade que os atingiu e que não vislumbram uma luz ao fundo do túnel. Segundo a mesma fonte, apenas um terço dos mesmos estão a receber o subsídio de desemprego devido aos cortes que o governo e a, tão célebre, troika estão a fazer nos apoios sociais aos desempregados. Um problema que não é considerado importante para o Primeiro-Ministro deste País. É apenas um efeito colateral, pois o que interessa, afirmou no seu discurso na festa do Pontal, '…é não falharmos'. Qual aluno, bem comportado e obediente, que vai além do que o mandam fazer, apenas para receber, talvez, uma festa na cabeça. Ou, ainda pior, como aqueles, ávidos de poder e de protagonismo, que passam por cima, atropelando tudo e todos, na caminhada em busca dos seus 15 minutos de fama, utilizando um discurso patético onde se retratam como vítimas. Arranjam um inimigo externo. Sem qualquer pejo, apontam o dedo aos outros. Sacodem a responsabilidade como se não estivessem à frente da governação nos últimos 36 anos. E, enquanto os filhos de um Deus menor agonizam sob o peso da austeridade a que morosa e diariamente vão sendo sujeitos, vimos, ouvimos e lemos que os assessores recrutados no privado, receberam o subsídio de férias. Para justificar esta dualidade de critérios há justificação e argumentação, oca, do ministro Vítor Gaspar. Eu, contribuinte, a quem me foi roubado o subsídio de férias e o de Natal (actos considerados inconstitucionais), tenho que pagar as regalias que grassam por esta região e por este país fora. Eles são assessores, fundações, parcerias público-privadas, só para elencar alguns. Segundo a informação mensal do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), o número de docentes do ensino secundário, inscritos nos centros de emprego do Continente e Regiões Autónomas 'mais do que duplicou em Julho em relação ao período homólogo, sendo o grupo profissional com um aumento mais significativo'. O que representa, segundo a mesma fonte um aumento de 37,5 por cento. Os argumentos usados, para justificar este aumento, por parte dos responsáveis, cá e lá, reduzem-se, a maioria das vezes, à baixa da taxa de natalidade. 'Há menos alunos nas nossas escolas'. Sendo verdade que há um decréscimo da taxa de natalidade, (há anos que os que foram sucessivamente apelidados de 'profetas da desgraça' chamam a atenção para este problema, reclamando mais incentivos e apoios sociais para evitar que o país se transforme num pais de velhos), confunde-me, que com base neste argumento se aumente o número de alunos por turma. Se há menos alunos, porque razão aumenta o número dos mesmos por turma!? Todas as medidas que foram paulatinamente tomadas, com particular expressão e voracidade neste mês de Agosto, têm, única e exclusivamente, como objectivo diminuir o número de professores nas escolas. Uma das últimas medidas foi empobrecer o currículo do ensino secundário, exigindo o dobro de alunos por turma, em relação ao ano lectivo anterior para que as escolas do ensino secundário possam manter a oferta de disciplinas de opção. Uma medida, mais uma, que obriga escolas a encerrar turmas, a reduzir disciplinas, limitando o leque de escolha aos alunos. Esta mudança de paradigma da Escola Pública, este andar para trás, compromete o futuro do país. Só não vê quem não quer. Nota: Este texto, como todos os assinados por mim, não respeita o Acordo Ortográfico de 1990, vulgo Novo Acordo Ortográfico
Marília Azevêdo