Há poucos dias, ouvi a notícia de que o fundador histórico do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, se preparava para deixar a liderança do "seu" partido. Pensei ter sido um acto de coragem em assumir o "seu tempo" e realidade e preparar bem o futuro do seu partido. O que leva um homem de 56 anos, pessoa de reconhecidos méritos na área económica e política, a anunciar o seu afastamento? Algum cansaço ou apenas a coragem de assumir a realidade? Acima de tudo pareceu-me um acto de responsabilidade política, social, e acima de tudo de inteligência para consigo próprio e para com o seu partido e eleitorado. Sabe que os tempos são difíceis, de muita agitação e que num futuro próximo tudo terá de ser feito de forma diferente. Certamente não continuará na liderança do seu partido, por falta de capacidade para os novos desafios. Foi inteligente e responsável. Face a tudo isto, em minha opinião, deveria sair do partido, de forma democrática, sem qualquer condicionamento para o futuro, deixando que internamente surgissem alternativas livres. Na política, como na vida, não há insubstituíveis nem eternos guerreiros. Não estava à espera é que logo após, surgisse a necessidade de condicionamento futuro do partido, ao afirmar que a liderança deveria ser bicéfala, de um homem e de uma mulher. Em vez de unir o partido, vai dividi-lo. Em vez de criar condições naturais para a sucessão, vai condicionar e fragilizar o seu crescimento. Não muito distante do continente Português, temos na Região exactamente o mesmo problema. Porquê este condicionamento? Quem ganhará com tudo isto? Única e exclusivamente os adversários políticos. Começo a achar que o problema é cultural e da nossa (portuguesa) maneira de ser e estar na vida. Resultados? São certamente conhecidos e vivenciados o fracasso destas opções…

Pedro Calado, Vereador na CMF