L. Ramos Nem sei como descrever o triste e degradante espectáculo que, por puro acaso, assisti no Centro da Vila da Ribeira Brava na manhã de 21/08/2012. Com todo o gosto acrescentaria, para melhor elucidar os leitores, uma fotografia, mais certamente o DIÁRIO acharia impróprio para ser publicado. Passo a afirmar, em quarenta anos de vida, acabei de assistir à maior demonstração de falta de humanidade que se pode esperar da nossa raça dita racional. Não por causa de ser mais um caso de animais abandonados, mais pela atitude cruel dos espectadores daquilo que decidi aqui relatar. Ainda escrevo a tremer de raiva e de impotência. Caminhando de volta ao trabalho, comecei a ouvir altas risadas femininas vindas de uma esplanada. Pelo teor do barulho, supus ser um rato. Sei que muitas pessoas têm um medo irracional de alguns animais. Especificamente de ratos. Fiquei curiosa e voltei para atrás para ver a que se devia tanta agitação. Não estava era preparada para aquilo que viria a presenciar: Não conseguia ver bem, aproximei-me e vi que era algum animal pequeno. Um rato? Não. Afinal o responsável de tantos risos e gritos de gozo e diversão era um gatinho bebé, do tamanho da palma da minha mão, encolhido de medo junto de uma porta no outro lado da rua, todo molhadinho no intento de o afugentar com água por parte de um senhor. Não podia acreditar. Tanta algazarra por causa de um gatinho? Que tinha de tão divertido um homem de taça na mão a molhar o gato? Quis socorrer o bicho, mas para má sorte minha, ele correu e foi atropelado, demorando ainda algum tempo a morrer. (O condutor não teve culpa.) Quero que alguém me explique o que tinha de divertida a situação que acabei de narrar. Que se passa com a nossa humanidade?