
Devo confessar, para que fique claro, a minha ignorância em relação às grandes teorias e aos dogmas que regem uma religião que é conhecida por Economia. Nessa, como noutras, sou ateu. Economia, uma pseudo-ciência que entra mais no âmbito do oculto e do fantástico do que do racional. Sabia pouco e estou cada vez mais ignorante em relação a essa arte e os nossos governantes, de aquém e além mar, têm feito de tudo para me tornar - a mim e à esmagadora maioria dos portugueses - cada vez mais analfabeto nesta área. Estão a conseguir.
No meio de toda esta crise aterradora, ainda não consegui perceber, e temo que nunca conseguirei, como é possível recuperar a economia, aumentar o PIB, criar investimento e emprego... tirando poder de compra aos portugueses e sobrecarregando as empresas com mais impostos, promovendo falências e destruição de postos de trabalho. Mas foi isso que decidiram os doutores da igreja da economia e não há nada a fazer. Pelo menos até às próximas eleições.
O que percebo, infelizmente, são as consequências da crise e do remédio/veneno que utilizaram para a matar. A mais dramática é o desemprego. Algo que não é preciso ser economista, leigo ou ordenado, para compreender que é, neste momento, o maior problema do País e da Madeira em particular. Não é um dos maiores, é o maior, mesmo. Não há nada comparado com quase 700 mil desempregados, ao nível nacional e 22.300 registados na Região. Isto é uma catástrofe, não é um problema.
Por isso, não consigo perceber - mais um reconhecimento da minha ignorância - como é possível que a criação de emprego, só atingível com apoios às empresas, não seja a prioridade das prioridades. Que a monstruosa taxa de desemprego não tire literalmente o sono ao primeiro-ministro, aos ministros todos, ao presidente do Governo Regional e a todos os secretários. Se tivessem consciência - outro fenómeno por explicar - estavam com insónias há mais de um ano. Nenhum teria coragem de ir de férias.
Mesmo que o secretário que herdou a tutela do desemprego já diga que a situação é preocupante, a impressão com que se fica é que não faz a mínima ideia do que está a falar e da dimensão da tragédia. Parece alguém que perante um maremoto diz que está a pensar em comprar botas de água.
Não é possível, por mais que os vendedores de banha da cobra que dão pelo nome de economistas digam o contrário, pensar em crescimento económico rápido com um número de desempregados destes. Muito menos controlar despesas públicas - os apoios sociais têm de aumentar para não morrer gente à fome - e ter a pretensão de ver crescer a receita fiscal. Desempregados não pagam impostos, porque pura e simplesmente não podem.
Também não é levando o Natal e as férias a quem ainda tem trabalho que se vai resolver alguma coisa. Antes pelo contrário, vão fechar mais empresas que sobrevivem com as ‘vendas da Festa’ e mandar mais um monte de gente para o desemprego. Mas isto sou eu, que padeço de iletracia económica, a falar. Eu e mais uns dez milhões.