Alexandre, Maria Da vida aprendemos a valorizar o bem que nos foi dado, fazendo minimizar o menos bom que nos foi direcionado. Eu faço parte da lista de alunos que se retiraram da universidade por dificuldades financeiras. O facto maior desse acontecimento foi ter-me sido retirada a bolsa de estudo, não pelos serviços desta parte responsáveis, mas porque não obtive aproveitamento porque um dito Sr. Professor não me lançou a nota período regulado, por mais que lhe explicasse a minha situação, o quão vital era aquela nota para continuar os estudos, não se demoveu e ofereceu-se para me guardar a nota no ano seguinte, lavando as suas mãos, como se de Pilates se tratasse. Recorrendo aos meios possíveis todos lavaram igualmente as suas mãos. Pergunta por onde anda o "magnifico reitor" de seu titulo...? Sendo minha intenção elevar em homenagem pessoas extraordinárias começo por deixar um grande bem-haja à Dª Graça Mota dos serviços de acção social da UMA, que foi incansável no atender do meu caso particular e ao excelentíssimo director deste serviço, o meu muito obrigada. Na minha situação actual de desemprego e sem qualquer rendimento é-me impossível voltar. Compreendendo Neruda, recusei "...morrer lentamente" e derrubei literalmente a mesa, despedi-me do meu confortável trabalho e fui servir à mesa, trabalhando à noite para poder estudar durante o dia. O cansaço, o esforço compensava um sonho a ver-se realizado. Sentimo-nos no mínimo injustiçadas quando tudo cai porque alguém, uma vez mais nos empurra fortemente para fora do sistema escolar, que outrora não podemos alcançar, somos novamente enviados à sociedade sem oportunidade de crescer e nos realizarmo-nos profissionalmente. Uma tentativa falhada, passados cerca de 17 anos após o abandono escolar a que me obrigou a vida. Queria referir, como já o fiz anteriormente, pessoas que marcaram esta minha experiência de cerca de 2 anos nesta universidade, passo a citar, tanto pela mestria e ou sensibilidade de olhar cada aluno como único, entendendo o que limita o aluno e que não pode ser alheio á "escola" explorando o seu potencial. O meu muito Obrigada Ao Professor Nelson Veríssimo, grande e exigente mestre, à professora Mécia Melo, que faz jus aos seus anos de experiência pedagógica, ser humano extraordinário, Professora Nina Lo Cicero, pela exigência e excelência pedagógica. E muito em especial um professor que tocou a todos os alunos, por ser um grande professor, um docente de coração, um homem de valores e sensibilidade avassaladora, um homem de mérito, um homem que muito continuará a dar a cada aluno que seja seu e ao sistema educativo em si, não podendo ser ele senão um docente das Ciências da Educação, um aprendiz incansável, alguém que me disse um dia: - Isso do céu ser o limite, não acredites, não existem limites, para sempre e no meu coração, Excelentíssimo Professor Nuno Fraga. A todos os restantes que primam pelo não amor á esta grande profissão, os amargos que berram ao aluno, ao que se sente grande em rebaixar o que ilusoriamente vê como pequeno, os meus pêsames, estão secos e mortos. Eu, eu volto e alego, nunca menosprezes o mais pequeno, porque aquando o momento da tua queda ele lembrar-se-á de ti. A todas aos que sonham, aos que estão a aprender a sonhar, aos que não desistem do sonho, que a dor de injustiça nunca seja maior que o bem que te envolve. Um bem haja.