João M. Silva No meu tempo de liceu era moda chamarmos "Julinhos" a todos aqueles que de alguma forma viviam à socapa ou por conta de outros e assim evitávamos chamar o verdadeiro nome mas muito mais rude … Vem esta explicação no início desta carta para que os leitores do Diário não confundam este nome com um qualquer Júlio que tem direito ao seu bom nome. Quanto mais assisto e mais informação temos sobre a política desta terra mais vejo a quantidade de "Julinhos" que criámos ao longo destes 30 e tal anos de democracia. Muitas vezes ouço perguntar se haveria algum empresário que por um segundo gostasse de ter nos seus quadros algum destes figurões a começar pelo número um ou UI como se auto-intitula. Só por aqui se vê a qualidade de gente (profissionalmente claro) que impera na política deste burgo. Reparem que há uns que nunca nada fizeram senão viver da política (deputados), pois mal acabaram os seus estudos sempre dependeram do erário. Outros têm os seus tachos em empresas privadas ou têm empresas e escritórios (principalmente de advogados) mas nunca deixaram os seus vínculos à política pois isso dá-lhes estatuto e porque não clientes… Outros votaram ou fizeram votar estatutos incríveis que por exemplo permite-lhes receber dois vencimentos (reforma mais vencimento) enquanto no resto do país tal não é permitido. Ainda há aqueles que não prescindem, tal qual os velhos com manias de ricos mas tesos que nem uns carapaus, de viajar em executiva para Lisboa e de exigir a utilização das salas VIP dos aeroportos em Lisboa e na Madeira quando o próprio 1.º ministro e o seu governo para dar o exemplo abdicam disso mesmo. Ainda temos aqueles que põem os madeirenses a pagar a manutenção de casas no Porto Santo para meia dúzia se deleitarem com as famílias numas férias no areal depois de terem desgraçado toda uma Região. E entre outros aqueles que sem qualquer pinga de vergonha "inventam" reuniões muito importantes para se ausentarem durante 10 ou mais dias da região por zonas do globo que só pode ser gozo… ou à custa do Dia da Região conseguem fabricar uma agenda que os põe também cheios de trabalho (ufa) e que os obriga a conhecer quase um país de lés-a-lés. E que dizer daquele que nos põem a todos a pagar um pasquim para seu usufruto? Até já nem respeitam quem lá trabalha. São textos não assinados, páginas da tia Cardoso, insultos a quem se atreve a não pensar como ele e por incrível que pareça a diocese envolvida nisto tal como um verdadeiro 'Julinho'. A Igreja não merecia isto, senhor bispo. Desperte para a realidade porque a comunidade cristã está a ver esta triste cena. Enfim, como vêem o que não falta são 'Julinhos'. Mas atenção para haver 'Julinhos' é porque há muitos tontos que os suportam . Até quando? Têm a palavra os Madeirenses. Julgo que por tudo o que já nos fizeram todos estes 'Julinhos' que aturamos há mais de 30 anos deviam pura e simplesmente desaparecer do mapa… ainda por cima há uns que o prazo de validade já estoirou há muito. É triste mas é a realidade.