Nos últimos tempos, falar da Grécia é, quase que inevitavelmente, falar da sua "crise" e das consequências que esta poderá ter na economia portuguesa, europeia e até mundial. De tal forma que quando os nossos amigos mais próximos souberam que o próximo desafio profissional se chamava Olympiacos, todos demonstraram a sua curiosidade perante a "crise da Grécia" e de como esta afecta a vida dos seus habitantes. Para nós que vivemos quase que 24 horas por dia nas excelentes condições do centro de treino do clube em "Rentis", muito perto da zona do porto de Pireus onde o Olympiacos tem a sua origem, o contacto com a "realidade" social de Atenas é muito reduzido. Talvez por isso, nestes primeiros dois meses que levamos desta experiência, se tivéssemos de realçar o aspecto mais marcante até ao momento teríamos de eleger o autêntico "fascínio pela cultura grega"! Diríamos que é quase impossível não o sentir, pois em cada recanto e em cada conversa, o peso da "história" e da "cultura" deste país milenar vem sempre ao de cima. Compreende-la é uma tarefa que nos levará certamente muito tempo. Mas, será provavelmente essencial para o nosso trabalho, pois só assim compreendemos muitas das reacções dos jogadores e das pessoas que trabalham connosco mais directamente. E nesta linha, compreender a importância que aqui é dada à história é uma tarefa muito facilitada pela presença dos múltiplos monumentos, presentes por toda a cidade de Atenas e não só. Tal como o facto de vermos as novas instalações desportivas por toda a cidade, resultantes dos Jogos Olímpicos de 2004, lembra-nos a importância que o desporto tem para esta sociedade que lançou as "raízes" do movimento olímpico. E até o nosso próprio estádio lembra-nos a história grega, ao ter o nome de Georgios Karaiskakis, herói da guerra da independência que ali tombou em combate, no ano de 1827. Sim, porque este país teve cerca de 400 anos de ocupação Turca, o que também deixou marcas profundas na sua matriz cultural. Claro que agora quando a "bola começar a rolar", já no próximo dia 26 contra o Veria, na primeira jornada do Campeonato Grego, o que vai mesmo contar para nós serão, como sempre, os resultados desportivos. Mas, até ao momento, para além do intenso trabalho de preparação da equipa e do nosso enorme desafio de adaptação com que somos confrontados diariamente, temos vivido com enorme prazer este "fascínio pela cultura grega"!
Nelson Caldeira, Treinador