Terminaram os Jogos Olímpicos (JO) de Londres. O evento, considerado como o maior mundial, foi um grande sucesso a todos os níveis. A começar logo pela criativa cerimónia de abertura, onde mil milhões de telespetadores assistiram a uma festa de 34 milhões de Euros realizada por Dany Boyle. A imprensa mundial rendeu-se a esta cerimónia enfatizando desde logo a presença do respetivos países. Em Espanha, Inglaterra, França, Alemanha, vários órgãos de comunicação social fizeram do desfile dos seus atletas no estádio a foto principal das capas dos matutinos do dia seguinte. Entristeceu-me ver que em Portugal, no dia após a cerimónia dos JO, os destaques das capas dos jornais, particularmente dos matutinos desportivos que têm aqui uma responsabilidade acrescida, versavam sobre o quotidiano dos clubes de futebol - leia-se Benfica, Porto e Sporting - em pré temporada! A participação portuguesa, tirando em meu entender a discutível escolha do porta-estandarte e o caso da velejadora "fugitiva", teve uma presença digna. Quem assim não compreender, deverá relembrar que Portugal, comparado com outros países, é de pequena dimensão e com poucos habitantes. Que, no nosso país, o apoio e destaque dado às modalidades que não o futebol é mediano. Claro que, fruto desta falta de atenção e promoção, também os apoios privados ficam aquém do desejado. Mais, em Portugal, a vida de um olímpico não compensa. O retorno é precário. Veja-se o caso de alguns ex-olímpicos medalhados, nomeadamente no atletismo, que tanto tempo e esforço investiram e que, hoje, encontram-se em condições medíocres. Alguns deles tiveram, inclusive, que emigrar. A educação desportiva começa nas escolas. Muitos países medalhados assim o fazem. E não será certamente retirando horas à Educação Física, como agora se preconiza, que o nosso país irá começar a amealhar mais medalhas. O retorno dos JO é proporcional ao investimento que se faz no Desporto em Portugal! Aos que enveredam pela crítica fácil, que surge de todo o lado, já pararam para pensar? Na sua área, qual seria a sua posição mundial? Alcançariam o pódio?

Bernardo Vasconcelos, Professor