Fomos brindados com um verão como há muitos anos não se via. A nossa ilha contrariou o clima depressivo e deu o melhor de si. Contudo, persistem problemas que nem o sol mais radiante, espelhado nas águas límpidas, os faz esquecer ou minorar. Os dramas familiares, infelizmente cada vez mais comuns, resultam do desemprego e do menor rendimento disponível, assente nos cortes dos subsídios e no crescente custo de vida. Para retratar a vivência neste torrão dourado, juntam-se outras circunstâncias de difícil digestão: - Nas viagens marítimas, aplica-se a todos uma taxa de penalização por alteração da viagem nas 48h que antecedem a data inicialmente marcada. Nem nas viagens aéreas, com lugares muito mais limitados, os residentes no Porto Santo são tratados desta forma; - Ao já tão "acessível" preço do combustível, somou-se mais 15% ao imposto, por dita impossibilidade de se cobrar ao utilizador das vias rápidas. Perdoem-me a ironia, mas assim até apetece atestar com gasolina 98, que a mais barata não faz cá falta, só para circular nestas estradas. Buracos nem vê-los, e remendos de cimento nem sabemos do que estão a falar; - Existe um único supermercado na ilha. Prover-se do necessário é reviver diariamente o último 1º de Maio! Sem espaço condigno, de onde ressalta a inexistência de instalações sanitárias, e sem armazém próprio, que condições se oferecem a clientes e trabalhadores? Apesar de tudo, a "peneira" de alguns não tapa este sol que nos ilumina. Nasce para todos. Valha-nos isso.
Renata Sousa, Vereadora PS/Porto Santo