Muito se tem discutido sobre onde pára o turismo que a Madeira usufruía. Era em menos quantidade, mas de qualidade. Entretanto os transportes aéreos massificam-se ao ponto de atualmente, em muitos dos destinos, se transformarem num transporte acessível. Exemplo concreto é o facto de um turista oriundo do Brasil com destino a Lisboa poder usufruir no seu pacote de uma escapadinha à Madeira, sem que para isso pague mais. Reflectindo sobre estas promoções com o principal alvo o destino Madeira, ocorre-me uma outra questão: para quê uma aposta em hotéis de cinco estrelasse colocamos seus quartos durante muitas vezes em saldos? Urge repensar o destino apostando também num segmento virado para turismo de Luxo, nomeadamente executivos de empresas interessados em obter "novas experiências", de âmbito cultural. Falou-se recentemente em aumentar o número de turistas em escalas de cruzeiros. Pergunto, não será mais importante efectuar um estudo de mercado, captando as companhias de navios que ofereçam serviços e destinos de Luxo, chamando turistas com maior poder económico? Um estudo da Crystal Cruises conclui que os viajantes são cada vez mais educados e cultos procurando férias para enriquecer os seus conhecimentos com "experiências de destino". Neste leque existem cerca de 4 milhões de famílias nos Estados Unidos com rendimentos familiares superiores a um milhão de dólares anuais, onde cerca de 35% destes rendimentos são gastos nestas viagens. Ou seja cerca de 350 mil dólares por família. Será que temos estatísticas e estratégias para este mercado em relação ao destino Madeira?

Luís Guilherme de Nóbrega, Professor