São dois elementos místicos que povoam a mente Humana há milhares de anos. O nosso antepassado que, friccionando duas pedras causou faísca, trouxe um grande avanço para a Humanidade. Impôs-lhe, porém, grande responsabilidade. Muitos séculos mais tarde, Alfred Nobel, potenciando o pequeno perigo pré-histórico, sabendo da impossibilidade de controlar a utilização desastrada da sua invenção, a dinamite, criou, para minorar os estragos, o Prémio que tem o seu nome. O Homem, com defeitos e qualidades, não parou na dinamite. Acabou inventando a mais terrível forma de energia: a energia atómica. Aumentámos, exponencialmente, os riscos. Água e fogo, como no tempo da pederneira, continuam a preocupar-nos. A História da Humanidade escreve-se há um milhão de anos. Seiscentos anos, num milhão, pouco pesam. Eles, apenas, registam as nossas lutas; as boas de que nos orgulhamos, as más para que não as repitamos. Aos Humanos, madeirenses incluídos, hoje usufrutuários da TERRA, cabe-lhes; preservar a natureza. Desde que aqui chegaram, os portugueses nossos antepassados, trataram de construir habitações, alimentar-se, reproduzir-se, e, servir El-Rei, neste novo espaço. Isso fez-se ocupando e utilizando o território. A partir de 1978 a nossa história foi "revista". Desvalorizar o passado tornou-se moda. Não me admiraria nada que um adolescente no ensino obrigatório, concluísse que esse fora o ano em que o Sr. Dr. Alberto João descobrira a Madeira. Os nossos antepassados entre 1419 e 1978, recorrendo às técnicas disponíveis, trouxeram água do Norte para o Sul, abriram caminhos, edificaram solares, construíram cabanas e ocuparam furnas. Pretendeu-se, ao recontar (coisa de nazis e comunistas) a História, desprestigiar o Estado Novo. Sobre os seus malefícios estamos conversados. Nunca o branqueei e suportei-lhe todos os caprichos. Porém, prezo muito amigos que, acreditando no que faziam, o serviram, sem dele se servirem. O trabalho dessa gente, politicamente enquadrado pelo regime, trouxe-nos: regadio (as levadas traziam 900 penas!) da Calheta a Machico; várias estradas; electrificação; um sistema produtivo que, aproveitando os recursos naturais disponíveis, criava emprego como sempre acontecera desde 1419. Assim satisfaziam-se as necessidades básicas da população. Um território exíguo, face à população que suporta, pede regras na sua ocupação. Criou o Estado Novo, Planos Directores que disciplinavam a construção. Possuindo os populares pequenas parcelas, o "buraquinho de casa" era o objectivo. Logo, abominavam regras! Caído o regime, a demagogia instalou-se. Cedências às pressões dos eleitores, para quem só o imediato conta, garantiram dilúvios de votos nas várias eleições. Os custos, financeiros e sociais, destas votações sobraram para todos nós. Suportamos: subsídios aos transportes públicos e à construção e manutenção de estradas; lançamento de rede de energia; saneamento básico; escorregamentos, como no 20 Fev. Equipamentos de construção civil, de capacidade inaudita, fizeram a infraestruturação (seja lá o que isso for) da ilha. Tivessem os australopitecos conhecido bulldozers e hoje não sobraria TERRA, a avaliar pelo que se fez nestes anos de desvario construtivo. O aparelho produtivo foi desmantelado, quando se retirou do sector primário a mão-de-obra. Bons salários, monetariamente falando, escondiam um futuro negro mas garantiam votos nas eleições. A insensibilidade foi tanta que depois de inaugurados uns Kms de estrada é que se apercebiam que alguns agricultores haviam ficado sem água. Quem era pago para pensar esquecia que a produção agrícola mata a fome, e o seu preço, havendo juízo, é muito mais barato do que em qualquer supermercado. A população é induzida a comprar e a não produzir (mais tarde faltando o dinheiro, apercebem-se do logro), deixando a área agrícola ao abandono. Esta é a verdadeira história do fogo brando que, em sentido muito amplo, queimou a Madeira anos a fio. Nada disto espanta. Vivemos aquilo que, o sábio povo, resume assim: quem semeia ventos colhe tempestades. Ficaria feliz, por mim e pelos meus conterrâneos, se tivesse sido eu a enganar-me (disse, assumi, paguei por isso, que íamos por maus caminhos) e não como infelizmente aconteceu com a ribª. de S. João, quando garantiram que ela nunca transbordaria. E agora? Resta-nos começar de novo, recuando aos anos cinquenta. P.S. O alemão Klauss Friedrich, residente, há anos, na Madeira continua mudo. O nosso herói, grande admirador de S.Exª. o Sr. Pres. do GR, eclipsou-se a 13 de Fev. p.p. ao convidar, no JM, a Srª Merkel a visitar a RAM. Quão envergonhado deve estar o homem! Parto do pressuposto, talvez errado, de que tem vergonha.

Gaudêncio Figueira