José António Gomes de Freitas No Monte por ocasião do grande arraial, não se fazem funerais. No turismo os hoteleiros recusam-se a aceitar os clientes que fizeram e pagaram a reserva através da Strawberry, a SRTT, ameaça multá-los. Os grandes e poderosos , especuladores destruíram o país, e ganharam fortunas, carregam-se de impostos os rendimentos do trabalho, atingindo apenas os trabalhadores. Na saúde por falta de medicamentos e de cuidados dão-se altas médicas com as consequências à vista.Não há emprego para os jovens, congelam-se por alguns anos, as idades das pré reformas. As pessoas lutam com o fogo arriscando a vida na salvação dos seus pertences, e o presidente da câmara local delicia-se com banhos na piscina do hotel onde goza férias. Nas escolas não há comida para os alunos, informa-se os pais para desenrascarem-se. Uns anos atrás precisei da ajuda do instituto defesa do consumidor, não puderam atender nesse dia, pois estavam a preparar a celebração do dia do consumidor. As fundações criadas com objectivos sociais, ajudadas pelos orçamentos gerais do estado em milhões, pagam exorbitantes vencimentos aos seus administradores. O responsável máximo de uma associação médica internacional concorre para a Presidência da República, perde, e afirma que só aceite um cargo político do partido que o apoiou, só se for para Presidente da Assembleia da República, repudiando o "carguinho" de simples deputado. Isto são exemplos do nossa região, do nosso país, mas acredito que abrange todo o mundo. E há muitas outras situações a acrescentar. O que há de comum nisto tudo? A pessoa. A pessoa, a razão da existência, de organizações, de cultos religiosos , de governos, de partidos, de serviços públicos, etc, passou para segundo plano. Perdeu-se completamente os valores essenciais, da humanidade. Em tantos anos de existência, a humanidade falhou. A ganância, o poder, supera tudo. É preciso haver catástrofes para colocar a pessoa como objecto da atenção, de solidariedade, apenas por algum tempo. Como se consegue dar a volta a isto? Uma nova ordem mundial? Um novo regresso de um Messias à terra? Pensamento filosófico que se extinguiu? Não sei! Há alguns atrás afirmava uma colega que casou, que não teriam filhos, pois não queriam que estes viessem para um mundo sem futuro. Já se passaram vinte e cinco anos e eu hoje pai, quando me cruzo com ela ainda sem filhos, lembro-me das sua palavras e faz-me pensar o quanto tinha razão. Qual será o futuro dos meus filhos, das crianças, adolescentes, jovens em geral? Nem eu próprio, sinto-me seguro e confiante que lhes vou dar o mínimo necessário até se tornarem independentes. Com que idade serão independentes? Dúvidas e incertezas que ninguém tem respostas, nem soluções. Mas sabemos que muitos, alguns à beira de nós, colados aos regimes políticos estão salvaguardados e salvaguardadas as suas descendências, por muitos e muitos anos...