Carlos Venâncio Gonçalves dos Santos - P’Comissão de Moradores Os moradores da zona velha nada têm contra o desenvolvimento do espaço onde residem (exposição de moradores com entrada nos serviços de atendimento da CMF no dia 20/03/2012 docºnº13411). Gostamos e admiramos as pinturas nas portas, gostamos e apreciamos o movimento gerado na área da restauração. Em resumo, nada temos contra os comerciantes. Ao contrário do que insinua a Srª Cristina Gonçalves não existe nenhuma cabala para denegrir o trabalho que ali está sendo feito. Saiba a senhora que a lei do ruído aplica-se não pelo numero de residentes (que não são tão poucos como pretende dizer) podendo confirmar na exposição (nrº de moradores signatários do docºnº13411), mas porque como moradores temos direito ao sossego. Temos direito a que se cumpra a LEI. Queremos dizer-lhe que o argumento das “putas” e dos drogados não pega. Esta sua teoria e de uma tal vereadora da CMF, além de ofender a dignidade de quem nasceu e vive na zona velha, tem por objectivo passar a ideia que no passado aqui só viviam “putas”, só éramos frequentados por drogados, que o caos e a desordem eram constantes. Merecemos mais respeito, não admitimos ser tratados como rufias. Queremos lembrar-lhe que a prostituição hoje é mais sofisticada, que o álcool também é uma droga. Lembramos-lhe que pior que o seu argumento, é deparar nas noites com jovens de ambos os sexos (alguns menores), completamente embriagados. Em termos comparativos com o passado o que hoje temos é um maior consumo de álcool e madrugadas de barulho como nunca tivemos motivando-nos a manifestar de todas as formas possíveis (graças ao DN e outros órgãos de comunicação) sempre dentro da legalidade ao contrário de outros. A sua carta apresenta muitas contrariedades. Por um lado diz haver uma montagem contra os comerciantes da zona velha e por outro lado condiciona o nosso protesto ao nrº de moradores. Mais adiante acha que os estabelecimentos devem cumprir horários mas reconhece que há prevaricadores e diz ainda que não concorda com o barulho mas resguarda-se como a polícia deve interferir. Em que ficamos? Queremos lembrar-lhe que o interesse turístico que reclama para a zona velha, nada tem a ver com os bares que funcionam até de madrugada (e os moradores que trabalham no outro dia não importa). A percentagem de turistas que frequentam estes estabelecimentos após as 24horas é praticamente nula se não contarmos com os estudantes do programa “Erasmo”. Por fim, gostávamos de perceber qual a sua intenção em colocar a situação da zona velha no mesmo patamar do Centro Internacional de Negócios. Quer virar os restantes madeirenses contra os moradores da zona velha insinuando haver uma cabala de Lisboa contra este espaço nobre da cidade do Funchal? Que interesses defende a senhora, que montagem, a mando de que interesses pretende impor-nos o direito ao não/sossego? Será que toma poncha de borla, será que também faz parte dos que se embebedam todas as noites e produzem tal nível de ruído que torna insuportável a vida de quem aqui reside, e de alguns turistas que por azar procuram as unidades hoteleiras aqui existentes para pernoitar? Devíamos era preocuparmos com esses postos de trabalho que não são nada poucos e que beneficiam em muito a nossa economia já destroçada pela crise existente na nossa região. Deixe-nos os restaurantes, deixe-nos as portas pintadas e tudo o que de bom tem a zona velha para oferecer. Leve para a zona que reside as novas “putas”, os novos drogados por álcool e não só, leve o ruído deixe-nos o sossego. Dispensamos o ‘paraíso’ que pretende oferecer-nos. Somos madeirenses, somos cidadãos de pleno direito, somos pelo desenvolvimento controlado e sustentado, somos pelo direito ao sossego, somos contra o ruído. Defendemos os nossos direitos. Exigimos a aplicação da LEI. Cristina não vais levar a mal, vamos continuar a nossa luta de uma maneira democrática e saudável até... O ruído é crime! O sossego é um direito!