Preparar uma revisão da Constituição que vai abalar Portugal, apresentar teorias de nível académico sobre a situação financeira do País, ténis, banho de mar, cerveja e camarões. A ordem é aleatória, mas este é o programa de Alberto João Jardim, nas habituais férias, gozadas na casa de praia com melhor localização no Porto Santo e, curiosamente, propriedade de quem paga impostos nesta terra mas não a pode usar. Quanto aos mergulhos, à cerveja e aos camarões, nada a dizer, a não ser a recomendação de cuidados redobrados devido ao colesterol. No resto, há coisas que ultrapassam o ridículo.

Como sempre, desde há vários anos, o trabalho de férias do presidente do Governo Regional é rever a última revisão da proposta de revisão do esboço inicial de uma revisão da Constituição da República Portuguesa. Um documento profundo que deverá abalar toda a estrutura do sistema político português, provocar três revoluções e dois golpes de Estado. O País parou à espera de tão brilhante proposta que será defendida pelos deputados do PSD-M, em São Bento, numa proporção de 4 para 226, digna de Leónidas e dos seus 300 espartanos a enfrentar hordas de persas. Vai dar um filme.

Para tragédia há outro enredo. Comentando a situação dramática das finanças públicas portuguesas, com uma dívida que é de 112% do PIB, o presidente do Governo Regional duvida do futuro do País, sobretudo pelos calotes escondidos que vão aparecendo. Por esquecimento, porque o programa de férias é intenso e quem recolheu o testemunho também não terá ajudado fazendo a pergunta, nada disse sobre a Madeira. Uma terra sem recursos próprios e onde a dívida é muito superior a 112% do PIB, a conhecida, a oculta que foi desvendada e todas as outras. Uma terra com um desemprego superior ao nacional, empresas falidas e aumento da pobreza. Que futuro terá?