A sombra que nos persegue é uma dívida contraída em nosso nome mas sem o nosso consentimento. Como foi feita essa dívida? Quem a autorizou? Por que razão foi escondida? Com que propósito a fizeram? Quem dela beneficiou? Havia realmente necessidade de contrair uma dívida desta dimensão para a Madeira e o Porto Santo se desenvolverem? Em bom rigor, estas perguntas ainda estão todas por responder. Quem acompanhou, ao longo dos anos, os relatórios do Tribunal de Contas deve recordar-se da expressão "obras a mais". Obras que foram custando muitíssimo mais do que o orçamentado explicam como se chegou a mais de seis mil milhões de euros de dívida. Poderiam estas obras ter sido feitas sem estas derrapagens? Claro que podiam. Por que razão então derraparam? Por que razão nunca este governo cuidou do dinheiro publico com o mesmo cuidado com que cuidaram das suas contas pessoais. Não consta por aí que os nossos governantes estejam híper-endividados e que tenham pedido insolvência ou um resgate pessoal. A forma como usaram o dinheiro de todos nós e das gerações futuras foi criminosa. A título de exemplo, a divida oculta de 757 milhões de euros só de juros já atingiu 404 milhões. Se isto não é criminoso, não sei o que é crime. As inaugurações à pressa, as obras sem critério e sem retorno, quer social, quer financeiro, estão à vista de todos e explicam a dívida e tornam-na imoral. A famosa "obra feita" poderia ter sido feita na mesma sem os custos que estamos a ter no nosso presente e que, no futuro, também vão tê-los os nossos filhos e netos. Todos esperariam que, depois da situação a que se chegou, o actual governo tivesse aprendido com os erros e tomasse medidas para salvar a Região. Esperaríamos dum chefe de governo, que fizesse o trabalho de restruturação do modelo de desenvolvimento e tomasse medidas. Mas não é esse o caminho seguido. Mesmo que durante os próximos três nos se cumpra o Plano de Resgate, em 2016 está tudo ainda por resolver: uma divida muito superior à que temos hoje, mais os juros. Por este caminho e com estes maus e criminosos governantes, temo que o nosso calvário se torne ainda mais doloroso. Hoje às perguntas, que continuam sem resposta, de como foi possível colocarem a Madeira e Porto Santo nesta situação, juntam-se muitas preocupantes interrogações sobre o nosso futuro.
Victor Freitas, Presidente do PS-Madeira