Portugal vive em que sistema? Marxista ou capitalista? Ou outro? A dúvida tem toda a lógica. Existem dados que nos confundem. Por exemplo: metade da riqueza produzida em Portugal vai direitinha para o Estado. Uma equação bem marxista e nada própria de um país capitalista. Outro dado: quatro milhões e meio de portugueses vivem diretamente do Estado. Ou porque trabalham para ele ou porque recebem subsídios estatais (700 mil funcionários público; 2,7 milhões de pensionistas; 300 mil com rendimento mínimo; 400 mil com subsidio de desemprego). Ou seja, quase metade dos portugueses vive diretamente do Estado. Uma conta nada capitalista. Depois, para agravar, aquilo que deveria ser capitalista só é quando interessa. Vejam-se os casos dos bancos e das PPP. Um banco falido representa uma conta enorme para o Estado, porque é este que entra com o dinheiro (exemplo o caso do BPN). Curiosamente quando os bancos dão lucro distribuem o dinheiro pelos acionistas (está certo!). Quando dão para o torto, é o Estado que entra com o dinheiro (está errado!). Um negócio meio capitalista meio marxista, dependendo da conveniencia. Curioso. Outro exemplo é as PPP. Negócios com riscos quase nulos para os privados. Não está certo. Não nos devemos esquecer que uma das mais valias do capitalismo é, precisamente, o risco e a concorrencia. Capitalismo sem risco não é capitalismo. Outro exemplo que confunde: a promiscuidade entre agentes do Estado e os privados. Muitos trabalham para o Estado defendendo os interesses dos privados. Curiosamente a grande maioria destes "funcionários público-privados" dizem perder dinheiro no trabalho público. No entanto, curioosamente, não abandonam os seus lugares. Pelo contrário. Trata-se, na verdade, de um investimento que irá trazer, num futuro próximo, grandes proveitos pessoais. Outro exemplo bem recente: chegou-se à conclusão que as grandes empresas portuguesas (as que interessam) têm apenas (!) meia dúzia de administradores. Ou seja, são sempre os mesmos. Existe mesmo o exemplo de um administrador (turboadministrador) que gere 72 empresas ao mesmo tempo! Ou seja, estamos perante uma oligarquia que quer tudo só para si. É isto capitalismo? Obviamente que não. O capitalismo é o melhor sistema. Só que do capitalismo deve fazer parte a "Moral Capitalista". Eu que sou profundamente e ideologicamente capitalista (mas não sou rico) impressiona-me e causa-me repulsa esta promiscuidade. Esta falta de fronteira clara entre aquilo que é do Estado e aquilo que é Privado. Ao Estado deve estar reservado o poder de fiscalizar. O poder de regular. Aos privados (capitalistas) o poder de fazer negócios. Tudo com Moral e Valores. Senão não vivemos nem em marxismo nem em capitalismo. Vivemos no "Salve-se quem puder". É exatamente isto que se passa em Portugal. Vivemos no "salve-se quem puder". Há que moralizar o capitalismo. Até porque sem capialismo (com o marxismo, por exemplo) não temos riqueza e são muito poucos os beneficiários. Mas só com capitalismo sem Valores os beneficiários também não são muitos.

Paulo Neves