Espero casa cheia em termos de afluência mas, as dificuldades económicas e a falta de apoios não permitiram o salto que o festival merece dar. - Ó caro Maurício, duas mil pessoas em todos os concertos e faltam apoios? E que tal pensar aí em dois ou três euritos por cada entrada, já no próximo Raízes do Atlântico? Claro concerteza, passarás a contar apenas com os pata rapadas porque os outros como sabes, só mesmo á borla. O que diga-se, é muito bom. Muito bom mesmo. Separar o trigo da borla é para já o mais importante contributo a implementar em prol da sobrevivência da nossa identidade cultural. Não só em relação a este evento, mas a todos quantos queiram sobreviver. As circunstâncias obrigam-nos a caminhar pelos nossos pés. Vi um dos concertos e vê-se que há pés para andar. Vê-se gente nova e também a querer caminhar. Caminhar e abrir novos caminhos. E com caminhantes e novos caminhos nunca ficaremos sozinhos. Caminhar é o que também tem feito o Recreio Musical União da Mocidade. Em Fevereiro próximo comemora o primeiro centenário desde a sua fundação. Não escondemos a nossa satisfação, especialmente pela dureza de alguns espinhos. Sabe bem poder dizer que temos uma jovem orquestra, que se apresta para completar vinte anos consecutivos a realizar concertos semanais (sem borlas). Sabe bem caminhar. E como disse Passos Coelho, que se lixem os pés.

Eurico Martins - Director artístico da Orquestra de Bandolins da Madeira