Gaudêncio Figueira A comunicação social tem noticiado apoios governamentais para compensar os avultados prejuízos que os incêndios causaram à economia regional. Atitude a todos os títulos louvável por parte daqueles que, há pouco menos de um ano, estão à frente dos destinos da RAM. Medida incontestável, apoiada por 100% dos madeirenses, vítimas, ou não, do desastre. Um bem-haja por isso. Pairam, porém, algumas dúvidas no ar. Vós, governantes eleitos, tendes a certeza de que, dentro das vossas actuais competências, podeis assumir essas responsabilidades? Explico melhor. Geradas em plena vigência da Autonomia Regional estão por liquidar dívidas, com contratos assinados, que, ao que consta, Lisboa não deixa pagar. Agora, com a Autonomia reduzida à "Anatomia", (circunscreve-se à estátua junto à EM e a discursos com os decibéis no máximo, entre as pontas de S. Lourenço e do Pargo) obtiveram já a concordância dos tutores financeiros em Lisboa para esta extravagante promessa? Não se excitem, escrevi extravagante promessa e mantenho. A população merece, mas o descalabro financeiro que foi criado não permite tal ousadia. Ao filho pródigo, inimputável, a quem o pai se vê obrigado a socorrer, não resta outra opção senão cumprir o que lhe impõem quando é apanhado 'de calças na mão'. Diz-nos a experiência que, em circunstâncias destas, o próximo devaneio será um discurso dramático contra os incompetentes que, em Lisboa, estão a boicotar o desenvolvimento da RAM e não respeitam a vontade dos madeirenses. Acreditará nisso quem quiser. As razões por que acreditam, ou, dizem acreditar, não analiso. Estranho é, sem dúvida. Gostava, confesso, que me explicassem, para que eu deixasse de ver em tudo isto uma pura manipulação de vontades. Há anos que tento, apenas tenho obtido insultos. Garanto, não lhes responderei. Julgo que uma grande maioria de madeirenses me acompanha nesta saudável curiosidade de obter uma explicação como se fôssemos crianças com pequeno atraso de raciocínio.