Sérgio Potier Qualquer pessoa sabe que os aumentos de preços originam uma diminuição do poder de compra, mas apesar disso, enquanto alguns consumidores mais carenciados aumentam o consumo de bens inferiores (fraca qualidade) outros procuram bens de luxo (procura da ostentação) para que outros apreciem e tomem conhecimento da vida de que usufruem. Mas o mais gritante é a propensão para salários elevados em áreas ostensivamente menos produtivas (rendimento de uma unidade produzida em relação aos custos de produção) do que outras, e que proporcionam ainda por cima menos ganhos sociais, independentemente da lei da oferta e da procura, o que significa que, há uma má avaliação sobre a mão-de-obra. Um médico, um engenheiro, um prof. universitário etc, que proporcionam mais ganhos sociais do que outros sectores de actividade sejam piores remunerados do que algumas profissões menos qualificadas como tem vindo a público. A função de um médico é tratar pessoas, a de um engenheiro é construir pontes e estradas, a de um prof. universitário é criar ciência, logo a função social destes é diferente de outras profissões. As suas funções são funções não mercantis, não viradas para o mercado. O meu respeito por um médico, engenheiro ou professor não é só pelo seu estatuto, mas pela função social que exercem, em virtude de os ganhos sociais serem maiores do que outras profissões. No fundo, quero com isto dizer que a desigualdade não deve ser confundida com a diferença, na medida em que a diferença entre indivíduos só se torna em desigualdade quando se traduz em vantagens ou desvantagens em relação a uma escala de valores (equidade). Quando os salários da maioria da população não são salários régios, e que se tem de trabalhar mais pelo hábito do que pela remuneração, é motivo para perguntar se a economia por sector de actividades e a gestão de recursos não estão mal organizadas? É a pergunta que deixo.