Após meses de indefinição quanto ao modelo de apoios ao desenvolvimento desportivo regional, parece que já chegaram a um entendimento. Se esquecermos o corte de 15% decretado para todos os sectores públicos, o futebol profissional não sofre cortes e os clubes da "Serie Madeira" vão receber o subsídio nacional jogando no regional. Como muitos, eu também sou amante desta modalidade que move mundos e fundos mas existe na Madeira Desporto para além do futebol. Estas decisões parecem-me um retrocesso enorme e um regresso ao passado recente onde tínhamos um organismo que teimou em parar no tempo e desligar-se da realidade. O IDRAM respondia às necessidades de alguns e desconsiderou o trabalho árduo desenvolvido por alguns clubes e associações. Com estas medidas, ainda me pergunto se o IDRAM foi realmente extinto… Será que o projecto (duro mas realista) do Dr. Jorge Carvalho era de uma pessoa só? O consenso generalizado em torno do modelo apresentado (apesar de mau) foi, afinal, "fogo-de-vista"? Quero acreditar que o movimento associativo madeirense não irá ficar indiferente. No entanto, nada poderá ser objectivamente conseguido se todos não estiverem unidos do mesmo objectivo: o desenvolvimento do desporto madeirense. Lia há dias um artigo de um político (daqueles que afundou o país mas que continua em todos os canais de comunicação a apregoar soluções para a crise…) que admirava-se pelos portugueses serem agora todos peritos em economia e finanças públicas ao palpitar soluções para o défice português. Arrisco-me a dizer a esse senhor, e demais políticos profissionais que por aí andam: Governem! Pois são pagos (e bem) para isso e deixem os projectos desportivos para os dirigentes (alguns ainda têm credibilidade…), treinadores e atletas.
Arlindo Vieira, Colaborador da AAUMa