A crise financeira chegou ao futebol e aos clubes portugueses. O ano passado quando a crise financeira já alastrava a toda a Europa, os grandes clubes portugueses "assobiaram para o lado" e só os três grandes gastaram mais de 100 milhões de euros em novas aquisições de jogadores. Mas a banca fechou a torneira e este defeso é o espelho disso. Os grandes esperam ansiosamente pelo fecho do mercado de transferências - 31 de Agosto -, não para comprar, mas para vender, garantindo uma almofada financeira e o equilíbrio das suas contas. O que não se entende, por exemplo, é que o Benfica precisando desesperadamente dum defesa-esquerdo, tenha gasto nove milhões de euros num extremo, onde já estava muito bem servido. Não se percebe também que o Sporting tendo um bom defesa esquerdo - Insua - vá comprar outro, só porque o Benfica o pretendia. E lá foram mais quatro milhões. Ou que o Porto depois de gastar, há seis meses, mais de trinta milhões de euros em dois laterais brasileiros, ainda esteja a procura de vender Álvaro Pereira ou Sapunaru. Se o dinheiro não existe, o pouco disponível tem de ser gasto criteriosamente e com um rigor, que até agora os dirigentes desportivos, na realidade, nunca foram obrigados a aplicar. Os tempos mudaram e o futebol também. O poderoso A. C. Milan teve de vender duas jóias da coroa - Ibrahimovic e Thiago Silva - ao Paris Saint Germain, agora dirigido por um árabe multimilionário. O Real Madrid e o Barcelona, que facturam centenas de milhões de euros por ano, não têm dinheiro para avultadas compras. Apenas os clubes comprados por árabes, russos, ou outros com excesso de "liquidez", estão no mercado. Oxalá alguns desses petrodolares cheguem a Portugal. Se os dirigentes portugueses não entenderem isto, temo muito pelo futuro dos nossos clubes. E pelo futuro do futebol em Portugal.
Rui Abreu, Chefe de Gabinete CMF