Não é preciso ser um especialista para perceber que, nas circunstâncias em que ocorreram, os incêndios iriam humilhar qualquer estratégia regional de combate. Por conhecer muito bem a nossa Ilha, supliquei, antes que o mal crescesse, que fizessem tocar todas as campainhas, pedindo auxílio nacional e até mesmo aos nossos países vizinhos. Mas, tristemente, a soberba do poder executivo preferiu o "deixa arder" do que a humilhação de reconhecer que a Madeira e, pelos vistos, o País não tinham condições para travar o avanço triunfante das chamas, semeando o terror e colocando em risco a vida e os bens das pessoas. Até agora, o que mais me preocupou, comprovado nas minhas intervenções, foi apagar o fogo, foi apelar à congregação de meios, nacionais e internacionais, para evitar a tragédia que se vê. Pelo contrário, as individualidades dos governos andaram preocupadas em arranjar, qual bode expiatório, justificação para a presumível incompetência, na lógica de que, se "não há nada a fazer, deixa arder". Acrescente-se as disputas internas e os insultos à oposição que manifestou as suas legítimas preocupações. Quanto aos meios aéreos, a Madeira é um caso e deve ser estudado como tal. Os estudos padronizados para todas as regiões devem ser ajustados às especificidades de cada uma. As conversas da treta, para justificar a falha dos meios aéreos, não nos convencem. Em situações excepcionais, umas descargas de água dos céus ajudariam os bombeiros no terreno a travar o triunfo do fogo. Pouparam dois ou três milhões, mas fica prejuízo de centenas de milhões, além do impagável sofrimento causado às pessoas.

Jacinto Serrão, Deputado do PS na AR