Hoje, quando a Madeira está a arder como nunca antes, o Governo, por questões político-financeiras, recusa-se a utilizar os meios aéreos. Cometeu a audácia de dizer que "temos bombeiros a mais" na Madeira, e desvalorizar o trabalho dos bombeiros. Na hora da verdade, o mérito é dos bombeiros e dos madeirenses, jamais deste Governo egoísta. Dir-me-ão que peco por aproveitamento político. Não! Fazer política é isto mesmo, procurar conhecer o que se tem feito para evitar e combater estes flagelos. Lutar por um futuro melhor e apresentar soluções que ajudem os madeirenses. No que toca a ajudar os madeirenses, quando afetados pelos incêndios, a legislação é pouca ou inexistente. Quando deflagrou o primeiro incêndio, procurei saber o que se fez para evitar esta catástrofe. A legislação que estabelece medidas de prevenção dos incêndios remonta ao ano de 1998. Quando me deparei com um decreto legislativo regional mais do que desadequado à realidade, procurei encontrar legislação que me permitisse saber qual o protocolo a seguir no que respeito diz a combate deste tipo de incêndios. Não existe. Existe legislação nacional, de 2006, que salvaguarda a autonomia da Região e prevê a adaptação à Região. Mas não se adaptou. Sinto-me revoltado. Ao que parece, o 20 de Fevereiro, e a destruição assoladora que presenciámos, não alimentou a vontade deste Governo de prevenir desastres ecológicos, como o de esta semana. Ao que parece, não só o 20 de Fevereiro, como o incêndio de Agosto de 2010, não foram suficientes para que o Governo tivesse a responsabilidade de atuar no sentido da prevenção de potenciais catástrofes. E a verdade é que não é preciso ir à bruxa, como se disse há dias, para perceber porque é que isto continua a acontecer. Enquanto a Madeira ardia, anunciou-se a vinda de um avião com forças de combate aos incêndios que acabou por chegar ao terreno, apenas 20 horas depois. A incompetência não termina por aqui. O Governo Central decide enviar cerca de 80 homens para combater as chamas, mas passa 8 horas em cerimónias militares, enquanto existem pessoas a perder tudo. É uma questão de prioridades. É uma questão de incompetência.

Orlando Fernandes, Presidente da JS-Madeira