Filipe Canning Clode A minha terra arde, de alto abaixo até ao sopé da montanha. Vejo-a a arder, mesmo entre as pedras junto à ribeira, nesse limite onde o fogo se rende. Nesse arder da terra, arde um pouco do meu eu. Arde um pouco de mim, que disse: Fico aqui, neste Portugal Atlântico. Sim, porque Portugal também é meu. Sou Português, de bandeira jurada e sagrado por isso, dou a minha vida pela luta das fronteiras. Mas o meu Portugal, é a minha Ilha, amo-a dos pés a cabeça. Hoje choro, pelo fogo que lavra a minha amante, mas as minhas lágrimas apagam o pessimismo dos que dizem acabou. Porque, mesmo a arder, do fundo do vale ainda sinto a frescura, e basta-me essa fragrância para saber que o amanhã existe.