Esta publicação não visa debater directamente o tópico "crise", porque desse assunto já muito foi dito e por muito vezes somos bombardeados. Em nome da crise tem sido e é possível reduzir todo o tipo de "custo", mandar qualquer funcionário para a rua, desmarcar compromissos, entre outros. A carência económica não é desculpa para evitarmos definir politicas de fundos. Isto para dizer que ela no futuro custará muito mais do que dinheiro, visto estarmos hoje em dia a formar pessoas e profissionais sem educação adequada e cujos objectivos passam pelo sucesso individual e interesses financeiros. Daí a questão: Será a crise meramente económica ou também de valores pessoais e colectivos? Vejamos. Na sociedade portuguesa a falta de pontualidade não é excepção, assim como, é raro o cumprimento com cortesia, a cedência de passagem a alguém ou a um condutor, o desrespeito e o insulto na web de forma anónima, a ausência crónica de respostas a e-mails profissionais, a intolerância, a impaciência e a agressividade têm-se tornado cada vez mais recorrentes. O que muitas vezes se vê no quotidiano é que enquanto um número significativo da população activa se encontra desempregada, muitos dos que ainda mantêm os seus empregos parecem nada fazer por os preservarem. Nota-se que as pessoas se encontram desmotivadas, tristes e preocupadas. Mas isso não pode justificar tudo. Se a conjuntura actual encontra-se dramática, pois aí temos mais uma razão para que nos tratemos melhor uns aos outros, tornando os dias menos pesados e desagradáveis. Devemos lembrar-nos que a indiferença gera indiferença, antipatia gera antipatia e a grande verdade é que estamos todos no mesmo "barco". Porque afinal, no que toca a esses comportamentos, a crise não os justifica.

Vítor Andrade - Colaborador da AAUMa