O Movimento Madeira Autonomia, tal como a larga maioria das forças vivas da nossa sociedade, consideram que o Plano de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) existente entre a Região e a República, por um lado, questiona os princípios e os valores da Autonomia e, por outro, está a destruir a vida das famílias madeirenses, das empresas e dos cidadãos, com efeitos imprevisíveis, mormente no plano social. A Madeira não pode cumprir este Plano de austeridade tal como se encontra! Porque as consequências são incomportáveis, o nosso Movimento, em pleno exercício de cidadania, sugere a todas as forças políticas, económicas, sindicais, sociais e culturais a prossecução de um entendimento quanto à necessidade de encetar com a República a renegociação do PAEF, em três pontos essenciais: mais tempo, mais dinheiro, juros mais baixos. Se houver vontade, um consenso alargado é possível, desde já, quanto a estes três pontos, garantindo à Região, isto é, a todos nós, uma maior capacidade e poder negocial face à República. Neste momento, os problemas sociais, económicos e financeiros atingiram toda a sociedade, as famílias madeirenses vivem autênticas situações de desespero. As divergências programáticas são absolutamente legítimas, mas a conjuntura exige de todos a conjugação de sinergias. Todos saberão colocar os interesses dos madeirenses em primeiro lugar. Torna-se, assim, essencial que, juntos, encontremos as melhores soluções e as estratégias de intervenção mais eficazes. Os direitos constitucionais estão do nosso lado, por isso, há que defender a continuidade territorial, a coesão nacional e social, a nossa especificidade enquanto Região Ultraperiférica, reconhecida pela UE, e a particularidade de as regiões insulares representarem a Portugalidade no Atlântico. Os madeirenses não abdicam da sua legitimidade para exigirem um PAEF mais justo, um plano com um prazo mais longo, com juros mais acessíveis e mais verbas de ajuda.
Rui Caetano - Professor