Emanuel Gaspar Já há largos meses desapareceu um interessante guindaste inglês, de meados do séc. XIX, da esplanada do forte de N.ª Sr.ª da Conceição do Ilhéu para dar lugar, indigne-se, a uma ou duas mesas e um toldo do actual espaço de diversão nocturna. É deveras de lamentar tal sumiço pois trata-se do mais antigo guindaste da Madeira e importante memória do nosso património industrial. Aquando da exemplar recuperação do forte, com ética e respeito pelas pré-existências, numa atitude serena, discreta, lírica e pouco intrusiva, levado acabo pelo Atelier Bugio do arquitecto João Favila de Menezes e que mereceu, justamente, o Prémio Recuperação-Património da Câmara Municipal do Funchal e o prémio de recuperação da Associação Portuguesa de Municípios e Centros Históricos, os dois em 1997, o referido guindaste foi naturalmente preservado como memória e quase como peça escultórica que valorizava o citado espaço. Importa aqui referir que Administração dos Portos da Madeira tem particular responsabilidade, pois o forte está concessionado, devendo esta entidade exigir imperiosamente a sua recolocação a bem do património arqueológico industrial da nossa ilha, antes que o referido guindaste se extravie ou seja desmantelado para lucrativa venda em sucata. Isenta de responsabilidade também não está a Direcção Regional dos Assuntos Culturais que deveria pugnar pela preservação do nosso património histórico.