Como já defendi anteriormente, o poder de compra da população portuguesa não pode ser descurado. Continuar com medidas que continuam a asfixiar as pessoas é um golpe baixo. Até porque muitos dos agentes económicos e dirigentes políticos que as defendem não se colocam no lugar das classes mais baixas. Onde pára a empatia? Onde se escondeu a solidariedade? Digo desde já e sem rodeios: enquanto as pessoas a quem lhes cabe as grandes decisões quanto ao futuro dos nossos mercados, quer directa ou indirectamente, não tiverem o sentido de empatia e não se colocarem na pele de todos aqueles que dia após dia se vêem obrigados a vender os seus bens, na busca de algum dinheiro extra para subsistir até ao final do mês; não haverá maneira de relançarmos a nossa economia até um patamar sustentável. Mas atenção, a culpa não se fica apenas pelos nossos dirigentes mais insensíveis. A melhoria também parte dos nossos comportamentos. Da forma como pretendemos dar a volta por cima. Não podemos nos desculpar de todo o mal que nos acontece apontando como responsáveis sempre os outros. Não nos devemos esconder sob um Locus de Controle externo. Mas pelo contrário, perceber que o que nos leva longe é a percepção da capacidade que temos de agir por nós próprios e de termos um forte Locus de Controle interno apreendido. Isto porque o nosso esforço pessoal e a nossa competência, por exemplo, contam muito para o nosso sucesso. E ter isso ciente é meio caminho andado para ultrapassar as divergências.

Elisabete Andrade - Colaboradora AAUMa