Ando estarrecida com o léxico ultimamente adotado na política nacional. Do outro lado do mar, na capital, entre sorrisos e palmadinhas nas costas, primeiro indicou-se polidamente que a "porta da rua é a serventia da casa", convidando várias gerações a deixar o país, entre os que agora pretendiam entrar no mercado de trabalho, e os que por lá já andaram e que se viram entretanto privados do seu sustento. Acrescentou-se, sem pejo, que o desemprego é uma oportunidade de mudar de vida, que é preciso arriscar e ser empreendedor. Ora então aqui no Porto Santo, atendendo ao nosso "vasto mercado interno", só não vê quem não quer: é uma oportunidade a cada esquina! Pode é só durar três meses… Depois, aos que ainda por aqui andam, agradeceu-se a paciência. De Job, deveriam ter acrescentado. A verborreia, ou seja, a abundância de palavras de parcas ideias ou no mínimo contestáveis, contagiou uns poucos. Do lado de cá do mar, apelou-se à resistência. E que se pegasse na enxada, porque cavar, atualmente e ao que consta, representa desenvolvimento, quando noutros tempos para muitos era atraso. Perante tão "doutas" palavras, o povo também quer entrar na temática e dirigir umas quantas palavras de ordem a quem governa. Desde o lodaçal de cortes, taxas e sobretaxas onde está atolado, exige que se pratique a transparência e o rigor, e que se respeite quem trabalha ou já trabalhou, e quem anseia fazê-lo. É porque a paciência tem limites. A resistência também. As equivalências é que parece que não…

Renata Sousa - Vereadora do PS na Câmara Municipal do Porto Santo