
Dois congressos partidários no mesmo fim-de-semana não é inédito, mas é muito raro. Desde logo, porque os partidos e as suas estruturas de juventude sabem que não têm nada a ganhar com sobreposições mediáticas que só servem para dispersar meios e reduzir o impacto. Excepção feita, claro, nos órgãos de comunicação partidários ou totalmente controlados por estes. Nos outros, as coisas tendem a diluir-se, porque o espaço e o papel são limitados. A excepção é quando há ‘casos’ ou os congressos assumem dimensão nacional e obrigam a ‘ir a todas’.
Foi assim no último fim-de-semana, em que se realizaram, no Funchal, duas reuniões magnas com resultados diametralmente opostos. Uma, a do CDS, mostrou um partido adulto que procura consolidar o novo peso eleitoral e político adquirido nas eleições de Outubro. O outro foi um congresso da CSD - Crianças Social-Democrata, a nova designação que deveria ser assumida pela estrutura ‘laranja’, tal a infantilidade que demonstrou.
No congresso do CDS, mesmo que a abundância eleitoral seja uma novidade, fez-se um esforço para mostrar um partido com vontade de poder e onde começa a valer a pena apostar. Portas recomendou abertura aos independentes, mas vozes regionais, provavelmente mais conhecedoras do terreno, com décadas de militância no tempo das vacas magras, lembraram que um partido é feito de militantes, de quem cola cartazes e carrega bandeiras. Dos que não fogem quando as vacas emagrecem. Um alerta que não deveria ser ignorado.
Na ainda denominada JSD-Madeira, as coisas foram confrangedoras. Vale o esforço de quem organizou o congresso para dar alguma dignidade, mas a imagem que sai é de uma organização infantil, com jovens a brincar aos partidos e ao ritmo de quem, por fora, os manobra. Jovens que seguem modelos e comportamentos políticos errados, ultrapassados. Jovens que ao querer ser adultos políticos à pressa caem num ridículo que dá pena.
P.S.1 - O PSD-M parece ter inventado um novo crime partidário, o 'albuquerquismo'. Como o trotskismo, pode dar para expulsar, perseguir e... sabe-se lá mais o quê.
P.S.2 - Jorge Carvalho surpreendeu. Ao contrário do que muitos pensavam, confirmou a demissão. Mostrou uma dignidade que é coisa rara nas cores que representa. Muito rara, mesmo. No lado oposto, o presidente do Nacional e o presidente do Governo... que nem merecem comentários.